segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PÁSSAROS



Pássaros 


A chuva 
na solidão dos pássaros 
é como silêncio 
no espaço...
Filamentos de amor 
destilado em gotas, 
feito cristais 
 tangendo um sino.



NEON



NEON

Incrédula!
Caos total.
Que medo de perder
No dia a dia
As ruínas vertidas da saudade,
Que descolorem
E enclausuram os dias
Em anúncios luminosos soltos pela noite.
Nada mais a fazer,
Então,
Oremos.

E VOCÊ DESISTIU...



E você desistiu... 

Nada é desconexo
Neste transbordar do tempo
Onde
Celebra-se  a essência, na criação
De um perfume. 


...assim é você,
chave da minha felicidade,
Pairando suave
Entre o incenso natural
E a beleza dos fios
Que unem meus
Neurônios
Aos cristais, topázios e verdes esmeraldas.
...basta desejar,
E terás minha suavidade
Nas pétalas
Da Rosa-Chá.




PORTA FECHADA



Porta Fechada


Não me espere
Por trás desta porta
Querendo o calor do meu corpo
Quando a garoa fria
Umidecer sua alma...
Não queira meus beijos
Nem meus abraços,
No embalo da rede
Não me tome em seus braços,
Não veja em meus olhos
O brilho das chamas deste fogo mortiço
...que queima os meus sonhos.


BOCA DA NOITE


BOCA DA NOITE

Eu sigo os caminhos do sol
E beijo os teus lábios
Ligada numa melodia qualquer 
Transcendo no espaço,
Depois me calo
Na boca da noite
Com uma saudade que nem sei definir.
Recolho-me
Apartada do rebanho
Sonhando sonhos de magia
Com fluência
Sem influência
Dentro de uma caverna sem ouro.

AZULÕES


Azulões

Havia hoje cedo
em meu jardim,
um bando de azulões.
...que pena,
mesmo com suas asas,
não podem vencer a distância
e cantar em sua janela.

domingo, 14 de agosto de 2011

O MEU PAI


O meu pai era uma pessoa especial! Com toda certeza, esta frase está na boca de todo filho/filha que teve um pai presente e participante em sua vida. Eu tive esse privilégio - não somente de ter um pai, mas ter um pai com uma presença tão intensa e marcante na minha vida que fez de mim uma pessoa que conserva valores morais, alguns deles, já considerados ultrapassados.

Aprendi, no decorrer dos anos, após ouvir meu pai em suas conversas (ou finalizando algumas), que: "Um homem de verdade nunca foge aos seus compromissos, sejam eles quais forem". Eu entendi isso como uma regra de viver bem.

Nos dias atuais eu percebo que nem tudo é bem assim -, as pessoas tem opiniões variadas sobre o mesmo assunto, aquela coisa de compromisso "no fio do bigode" já era, ficou num passado longínquo e se  efêmero - as pessoas dizem que até o amor é só uma condição momentânea e são capazes de se enganar a respeito dele. Hoje eu acordei com saudade. Uma saudade muito boa de ser sentida. Uma saudade de me ver refletida nos olhos verdes do meu pai. Na verdade, acredito que foi por estar fragilizada. Então foi mais forte o desejo de me refugiar nos braços dele - na certa seria um abraço e uma frase de incentivo que me traria à realidade  instantaneamente.

Não há lugar para tanta fragilidade assim. Não aqui, onde recebemos as marteladas que recebemos nos endurece dia a dia, mas o que aprendemos na tenra infância, faz de nós seres humanos capazes de suportar a carga diária.

Hoje eu sou capaz de entender quase tudo que o seu Moysés sempre dizia e também consigo de aceitar a ausência dele mesmo nos momentos difíceis que tenho que passar. Na verdade, eu não estou sozinha nunca - me olho no espelho e me acho cada vez mais parecida com ele - talvez pretensão de filha mimada ou talvez amadurecimento.
Mas, no final, o que eu queria dizer é o que o meu pai foi um homem de verdade. Digno, sensato, pronto a dar uma palavra a quem quer que precisasse, e fiel em sua honradez. Por isso, eu só tenho que dizer sempre: Obrigada papai, por você existir em minha vida.

Amor eterno,

Luciah 


FALSAS SENSAÇÕES


FALSAS SENSAÇÕES

Há um buxixo
Um coxixo no ar

Um farfalhar de bocas no rodar das rocas.
Uma tessitura na impaciência de cada dia
Um destempero no vai e vem de cada olhar.
Um aceno escagalhado virado pelo avesso.
Um remelexo se acabando no fim do trecho.
Desapetrecho um mal me queixo
Um desatino num só destino no fim do riso.

.












.

sábado, 13 de agosto de 2011

OBSCENO



OBSCENO

Naufragar nos teus prazeres
Beber dos teus anseios
Colorir o escuro
O sem nexo
Que partilha do teu sexo
Na tortura plena do obsceno.
E no final me lembrar
Resta sorrir e chorar
Falta-me a certeza
Se isto é amar...

.






FOLHAS SECAS

Folhas Secas


O vento sopra 
Folhas secas pelo chão, 
Folhas tristes como eu . 
Esse vento 
Não cura minha dor 
Nem perdoa meus pecados. 
Neste altar 
Frio e silencioso 
Eu te amaria para sempre... 
Mas você se fecha 
Aí, onde o crepúsculo cai 
E eu... 
Aqui com minha solidão 
Pois minha dor 
É dor de outono.



.

FRUIT DE LA PASSION


Fruit de la Passion

Gosto dessa urgência.
Da paixão pelas lâminas
Que reinventam a vida
Essa inimiga silenciosa,
Que escorre por mim em pele de seda.
Poderia ser “chique”
Cinderela entre sultões,
Mas como é possível
Vencer o mal?
O mal que existe
Dentro de todos nós,
Esse doce fruto da paixão
Se fui vaidosa
E fiz um amor tão grande,
Que transbordou minha taça do tempo?
Um brinde!



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

VOCÊ E EU


VOCÊ E EU

“... e enquanto as nossas bocas se esmagavam, e as doces curvas do teu corpo se ajuntavam às linhas fortes do meu, os nossos olhos muito perto,
imensos, confessaram-se tudo, no desespero desse abraço mudo.
... nós pairávamos suspensos entre o céu e a terra.”
(Adão e Eva – José Régio)



Sob o olhar cego
Dos querubins
Estendeu-se em
Em meus lençóis,
Entre sedas e rendas
Calou-me
Com sua boca.

Apaziguou-me
Num arrepio sem igual
Beijando as
Minhas costas suadas..

... gostos e odores...

Sou um frágil animal
Em agudo desespero.
Enquanto você me ama
Restitui sua paz,
Entre os filamentos
Brancos da loucura...

És meu castigo
Teu destino sou eu...







UM BEIJO


UM BEIJO


Acarinhar-te
Que gostoso é,
Ver você gemer...
Sentir sua boca
Tesa, úmida
Colar na minha...
E uma parte sua
Quente, viva, lânguida
Possuir-me a boca
Num simples beijo.

.

SEGREDOS



SEGREDOS


Haverá risadas
E isso não importa
Porque houve um passado.
Existiu uma crença e
Persistiram as necessidades.
Eu não posso parar,
De amor me faço eterna
E ninguém peca,
Por esquecer que felicidade
É momento fugaz.
Tudo que sinto [essa ressurreição],
E tua forma constante em meus pensamentos
Revelam o segredo,
Nesta cama de pedra
Em meio
Aos prazeres
Exponho minha dor,
E adormeço para a vida
Sonhando teus braços.




.

PEREGRINA


PEREGRINA

Na sombra dos milênios
Renasce a branca criatura
Anistiada das dores
Despida de véus
Libertando a imagem
Do pensamento das virgens.
Navegando em águas de inverno
Ao sabor da corrente
Mesclando de luz

A noite - irmã de todo sonho.




.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DUAS VIDAS



Duas Vidas 

Alma gêmea,
Perpetuada no bálsamo do ventre
Como uma flor de esperança.
Carrega nos ombros mal contidas heranças
Que afloram deste abismo
Expondo a solidão que te habita.
O teu medo é meu angustia
Teu soluço, meu algoz
Tua existência_________é minha sina!



.

NA SOMBRA


Na Sombra 

Este pedaço pegajoso
Meio mudo de apelo
Esparso como a bruma
Ainda pulsa e vibra.
Na sombra das lamparinas
Tem susto de vento
E na chuva que por mim respira,
Nasce um pensamento
Misturado com a dor,
Deste céu
De véus adventícios.

*

ACONTECÊNCIAS



ACONTECÊNCIAS

Seus ares de serpente
Faz o amor cair doente e
Recolhe o sentimento 
Da maldade raça enquanto
O trovão ecoa
Na brisa batendo leve
...e essa paz que vai morrendo aos poucos,
Na espuma das madrugadas
Entorpece a mente com
Erros tamanhos que
Insistem em incendiar a noite passageira.

INCERTEZAS



Esta cicatriz 
Talhada em rosto de bronze Pulsa
Feito sonho de ancião.
Arraigada
Na consciência arcaica,
Martiriza em sintonia
Com lembranças turvas
A incerteza
Que enfeita meu entardecer.


.

.

UM ANJO


Um anjo
Caído do céu em tarde norma,
Embala meus sonhos
Rouba minha alma
Faz de mim,
Escrava
De seus olhos profundos...


.

PERFUME DE LAVANDA



PERFUME DE LAVANDA

...no arame,
Suas roupas secando ao sol
Abrem braços
Perfumados de lavanda,
E enlaçam pela cintura
Meu vestido de cetim coral.






OLHOS DE MULHER


Olhos de Mulher

Os olhos da mulher
São olhos de fera parida
Que espreitam através da noite...
São olhos cheios de enigmas
Feito labirintos onde o tempo se perde.
São como os ventos de temporal
Virando as horas do dia.
São olhos profanos
Por trás de sombras pagãs...
São olhos de aranha fêmea
Que aprisionam em sua teia
A alma dos homens
E sugam de vagarinho
A essência da vida-amor!

*

LUA




Lua

Lua fria,
Branca.
Lua tímida,
Acendendo o brilho
Das poças d´água.

Sorriso no breu da noite,
Meio cheia
Meio minguante
Quarto crescente na minha dor...

Surge nova a cada dia
Feito mulher
Depois do amor!

*

ACALANTO




ACALANTO

Tuas vestes de linho
Aquecem teu corpo
Deita-te ao solo
Sem medo nem segredos.
Farei de ti,
Menino acalentado em meus braços.
Cinge tua fronte
Esqueça-se de tudo,
Velarei o teu sono.

*

ASAS


ASAS

O tempo é a semente da alma
Desdobrando-se em filigranas
Dourando nossos sonhos
Enfeitando as catedrais
Na claridade da luz.
Pousando feito ilusão
Num vôo de asas desleais
Refletindo-se no silêncio,
Das gotas de orvalho
Num lírio sobre o altar...




PECAMINOSA




Pecaminosa

Fui forjada no calor do desejo
Uma alma de anjo
Uma ânsia de diabo.
Meu grito rasga a noite
Meu prazer se vaza
Transcende
Busca-te e te caça.
Sou fêmea no cio
Com meu cheiro de mulher.
Deseja-me, me queira.
Ama-me...
Sou Lilyth, não Eva!
Fui feita de barro
Parida na lama
Dolorosamente má
E sob medida
Só para amar você!
Queira-me, me possua!
Liberta-me...
Beija-me e me faça mulher,
Pois fatalmente morrerei...
Tua indiferença é meu castigo,
Deste-me o cadafalso.

*

EFEMÉRIDAS




Efeméridas

Minhas asas solitárias
Efêmeras, translúcidas
Já não voam
No carrossel dos anjos.
Repousam agora
No silêncio escarlate
Da sexta hora.

*

SAL E AREIA




Sal e Areia

Vim ver o mar...
Preciso destas águas
Prostitutas e sensuais,
Águas que gemem tantas dores
E curam tantas feridas.

Vim ver o mar...
Banhar-me em sua águas batismais,
Sucumbir sem resistência
Escorregando
No descanso das águas.

Chorar meu pranto
Até ver-te deixar meu corpo
Em cada lágrima...
Então, desabotoar a alma
Deixá-la livre
Levada pelas ondas...

Renascer
Feita de sal e areia
Sem lágrimas
Sem sonhos
Sem amor,
Apenas sal e areia.







*






POR AMOR




Por Amor

Sob a luz do fogo
Bordei teu nome em minha pele
E assim cicatrizado,
Teu nome...
Integrado em mim.

*

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

TRISTEZA




TRISTEZA

Deixa-me lembrar
Recordar de ti
Entre o mar e a tristeza...
Assim
Silenciosa,
Dolorida, calada.
Deixa-me sonhar
Nada mais posso fazer
Se não queres minhas palavras
Minha voz se cala,
Perde-se
Solta no vento...
Que importa,
Se não estas comigo?!

*

SEDUÇÃO


Sedução

Meu corpo dói, minha carne lateja...
Que faço eu, agora
Que tu feito um bárbaro
Arrombou meu coração,
Guardo-te num relicário?
Ou rendo-me ao senhor
Que fez amor com a palavra,
Excitou-me por entre as pernas...
Penetrou com delicadeza
Meu corpo de mulher
Gozando a plenitude de meus mistérios.

E agora?...
Quero amar
De uma maneira só minha,
Um amor inédito, compensador
Que busca uma pseudo-perfeição
Uma aura romântica
Que me abraça e me instiga.
Quero esse olhar demorado
De semântica clara
Esse estado de graça, um sonho perfeito.

Quero o calor do corpo
No êxtase de ter sido tua...
Agora no meu corpo tem paixão
E te procuro
Sem importar-me com o extemporâneo ocasional,
Nas minhas reflexões, por vezes,
Sou um pouco assim como tu,
Imortal.

*

ANGELUS



Angelus 

Tem olhos gázeos 
aquele que navega 
em sua espaçonave de luz 
cortando a aurora boreal. 
É mensageiro de longa espera 
que o destino põe 
para aspergir a consciência da humanidade. 
É guardião de sete arcanos 
este argonauta imortal 
que guarda sob suas asas 
a essência de todo espírito.







LEMBRANÇAS E LUZES



LEMBRANÇAS E LUZES

Os olhos do vento
Torturam o eco da noite 

E assustam a lua
Com palavras de angustia.
No lixo de minha vida
Lembranças rotas e amargas
Ponteiam de luzes frias
Meu corpo ardente
Nesta febre terçã.

MAGIA COLORIDA



MAGIA COLORIDA

Poucos vultos
Entregues a saturação
Me observam neste invólucro
Que tece à minha volta
Uma inebriante textura
De magia colorida.
Meu ser acanhado
Fecha-se no horizonte
Tolhido, desolado,
Consome-se
Neste presente feito de passado.

*

SEXTA HORA



SEXTA HORA

A febre da tarde
aquece a alma dos homens,
acalenta o coração lapidado
tornando-o frágil
diante da aquarela que se descortina
em chagas cálidas,
derramando-se na letargia da terra.
O silêncio
mesclado de tédio
faz ponte ensanguentada na Memória Divina
e num compromisso de luxúria,
embriaga o perfil da noite enclausurada.
Em desatino minha alma alucinada
sorve a claridade
das bençãos de Deus.

*

PASSAGEM




Passagem

Sinto-me só...
Perambulo por ruas desertas
porões e sótãos
cobertos de umidade e poiera.
Arrasto-me nesta miséria noturna
buscando por um tempo
que não existe mais.
Deixo em cada passo
nesta lama,
Um pedaço de mim.
E neste silêncio feral
deixo correr meu olhar de tristeza
para onde uma estrela explodiu.






*

terça-feira, 9 de agosto de 2011

TRISTEZA



TRISTEZA

Porque choras minha alma,
se tens asas para ser feliz?!
Que liberdade podes queres,
que em meus sonhos não possas ter?!

*

CAFÉ DA MANHÃ


Café da Manhã

Acorda...
Já é de manhã.
Vem tomar café comigo,
Preparei uma mesa
Tão linda,
Você vai gostar...

Mas, antes me dá um beijo,
Abraça-me e me ama
Aqui mesmo na cama
Mostra-me o que sabe
Faça meu dia vibrar.
Vem... eu te espero,
Meu tempo é pouco
Não me deixe sozinha,
Vem ouvir minha voz,
Não me dê seu silêncio,
Agora, que eu sei
Te amar...
*

GLORIA VICTS !




Gloria Victs!

Meu sangue pulsando
Enquanto meus pés
Agonizam
No labirinto dos teus passos.

Celebrando a distância
Meu sol se põe
Em teias de prata,
Inflorescências pendentes
Alegorias de amor.

Neste arrebol
De corpúsculos luminosos
Banho meu corpo
Em águas das tuas águas.


MALÍCIA


MALÍCIA 

Vento de vendaval
Descobre a nudez do deserto
Faz passear os olhos que me olham
Na curva das minhas costas...
Escorrega as suas areias pelos meus labirintos
E desenhando um nome na minha pele nua
Crua de desejos e malícias
Acorda a fêmea que há em mim.
Açoita minhas coxas
Desça pelos meus seios sucumbindo amores
Em meus ouvidos
E calores nos meus infinitos gozos.
Vento de vendaval
Sopre o calor sobre mim
Vertendo o suor de cada poro
Sal para sua boca
Vida para seus sonhos.

ILUSÕES






ILUSÕES

A ilusão tece
As suas teias sobre a íris.
Fumaça amarela
Luz de lampião
Rebrilha este sino
Repicando suas notas,
Dolorosas
Escorrem, feito choro de anciã.
Maria Bonita no sertão
Tece uma renda
Bilros, bilros, bilros...
Gume de um facão
Raspa de tacho
Na fundura de um dedal.
Doce da cana
Mel de avelã
Suor de maçãs e
Na boca do mundo
Cuspe de anis e hortelã.
Na pele de seda
Esfregaço de mel e sassafrás.
Nas mãos uma renda
Uma fenda,
Flor vermelha...
Meia vida
Mentira nada mais.



*

CORPO NU



CORPO NU

Do teu corpo nu, eu sou a sombra.
Quando se separa a pétala do cálice
Nesta dourada taça
Que me oferece
E no verniz das ceras que te revestem.
Do teu suor, eu sou o sal.
Que inexoravelmente arde tuas feridas
A meia noite enquanto te impregnas
Desta ardência nervosa que me atrevo a te entregar.
Do teu fôlego, eu sou o ar.
Que imperceptivelmente te alimenta
Enquanto executas pensamentos devassos.
Do teu sangue, eu sou a vida.
Que te escorre em fontes omnímodas
E alimenta a voracidade vermelha das minhas entranhas.



Dos teus sonhos, sou a alegoria.
Incógnita hibridez da tua lascívia
Para sempre inscrita na tua memória.




*

LUZ PARA OS MEUS PÉS



LUZ PARA OS MEUS PÉS 

Sinto a tristeza bater no umbral de minha porta 
enquanto tento entender a purificação 
do amor no crisol do fogo. 
Enquanto peço, faça-me chegar os Teus rios 
o perfume das Tuas matas, a paz na sombra 
das Tuas florestas, o aconchego do Teu regaço. 

E neste mar que murmura o Teu nome, 
 escreve na areia o Teu sinal 
lava meu coração de toda angústia e de toda ausência. 
Neste exercício de elevação 
me desperta deste rancor que consome, 
que oprime e impõe fracassos doentios. 

Seja eu, viva em Você, na Tua presença 
e no Teu pão de cada dia - mais um gole do Teu vinho. 
No escuro do meu caminho 
Tua palavra seja a luz para meus passos, 
assumindo o norte da minha existência. 
Toma-me em espírito 
quando a noite baixar sobre mim 
 recolha-me em Teus mistérios 
envolvendo-me na Tua luz.







EU - SEMENTE DE POESIA



EU - SEMENTE DE POESIA

Aqui, a luz se dissipa
suave, em notas de si bemol
enquanto os meus olhos
tingem as sementes do girassol
e o vinho se desprende
da videira
em vida vermelha/prisioneira.

Antes que eu volte
a ser eu mesma
as sementes serão lançadas
como gotas de uma chuva
despojada, exilada de tormentas
escorregando
na suavidade das minhas mãos.

A paisagem fragmenta-se [vitral]
refletindo a luz
na metamorfose das palavras
confundindo noite e dia
no desabrochar da açucena.

E o tempo sopra a eternidade
nas sementes de poesia que germinam
nas minhas mãos
fazendo de mim uma oração
antes que a noite
me envolva em suave linho branco
Eu - semente de poesia - floresço.

A LUA

A LUA

Ela caminha cabisbaixa.
Indiferente aos cachorros sem dono que a seguem.
A sombra de cada poste passa trazendo uma mescla de tristeza e solidão.
Sente o coração - sabe que esta viva. Viva!
Estar viva, mas, por quê?
Lentamente seus olhos buscam a lua.
Pálida. Silenciosa. Pendurada num pedaço do céu.
Ama a lua.
Sonha com a sua quietude – com sua solidão.
Ela é a lua!
Sente-se assim – pendurada num pedaço do céu.
Sente o vento nos cabelos – o vento pode atravessar seu corpo, sente-se assim, fluída.
Abre os braços e continua caminhando.
Abre a boca buscando o ar à encher-lhe os pulmões.
Esta vazia. Vazia de si. Oca de sentimentos.
Os cachorros seguem calados – observando. Talvez entendam aquilo como uma brincadeira, mas, não participam, apenas observam.
De súbito ela para. Junta as mãos em prece – os olhos marejados se desprendem da lua.
Pássaros noturnos voam baixo.
Tudo é silêncio e solidão.
Triste ela percebe que não pode ser igual a lua.
Suas pernas não suportam o peso do corpo – cai.
Aquieta-se enrodilhada feito um bicho.
Os cachorros deitam-se ao seu lado – silenciosamente aquecem seu corpo durante a noite fria.

*

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

AMOR E SOMBRA


AMOR E SOMBRA

Uma chuva dentro de mim
refresca a dor
faz sossegar minh'alma ardente.
Ah... Chuva, caia incessantemente
afogue, transborde pelos meus poros
vaze esse amor/cadafalso, que me oferece as sombras,
restos e lamúrias...
Escorra em águas,
toda salobridade das palavras dúbias
dos sentimentos cheios de escárnio
mostre a planura dos meus ossos
na brancura das minhas palavras
já sem o eco da palavra amor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CORPOS NUS


CORPOS NUS


Antes que o dia escorra
luzes
pelos nossos corpos nus,
possua-me!
Eleva-me no teu delírio,
gozo da tua alma
entrelaçada à minha.
Somos um só
neste êxtase de sons,
murmurios e gemidos
que adentram o silêncio
da madrugada.
Navega na minha pele,
tão sua
enquanto meu, o teu corpo nu.
Arrebata minha lucidez
com teus beijos
na minha boca
trazendo à tona todo desejo
que te tenho.
Ama-me
antes que o dia acorde
e traga o sol
e o vento sopre acalmando
todo calor do meu corpo.
Ama-me.











quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ARDÊNCIAS

ARDÊNCIAS


O que arde dentro de mim
são os teus breves momentos de lucidez
parindo beijos
carícias
avermelhando
as dobras da minha existência.
O que arde dentro de mim
são os resíduos do teu sol
como pássaros de fogo
sempre voando em bandos
enquanto eu silencio as horas.





.

VOAR

VOAR


Onde estão as minhas asas?!

Cairam?! Desfizeram-se na claridade do teu sol

ardendo sempre a minha pele.

Já não sei voar...

Quero seguir os teus passos

até a linha do horizonte,

e na beira do abimo me olhar por dentro

me definir entre as coisas profanas e sagradas

e depois...

E depois te beijar na hora mais azul do dia.







INEBRIANTE


INEBRIANTE


Dançar com você
entre as nuvens de algodão
onde os versos que se espalham, 
e a lua, lá de cima vai
clareando o chão...


Dançar com você feito criatura alada
amparada pelo seu olhar
que me seduz 
enquanto rodopio nos seus braços.
 Inebriada criatura
tão diáfana que se dilui sem sentir...