quinta-feira, 7 de junho de 2012

DO MEU AMOR


DO MEU AMOR

Acordei e não te senti ao meu lado...
Ouvi o canto estridente de uma cigarra
isso
trouxe a solidão para dentro de mim...
Ah, meu amor, se voce tivesse coragem
de mudar um pouco as coisas.
Se tivesse coragem de nos dar uma chance
eu poderia te cobrir
com o manto de amor que teci
em silencio enquanto voce apenas dormia...
Eu poderia te dar
cada estrela azul, vermelha ou amarela
cada por do sol
cada gota de orvalho ainda frio
do silêncio da noite.
Cada grão de areia colorida
cada concha do mar com sua perola
cada beijo meu e
cada pedaço da minha alma...
Se voce tivesse coragem
de abrir a porta
e se soltar nos braços meus
a eternidade de um sorriso aconteceria
no bater do meu coração.

O SONHO QUE EU SONHO



O SONHO QUE EU SONHO

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também
para poder falar de amor
sem ter que morrer depois.

O sonho que eu sonho
é sonho colorido
é mecha de arco íris no olho do beija flor
é luz de vagalume dizendo do meu amor.

O sonho que eu sonho
é sonho encantado
é poesia é luz de estrela
é riso na hora do amor.

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também...

OS TEUS DESLIZES




OS TEUS DESLIZES  


Não sei de onde vem este gostar
Tão profundo
Que me faz te querer assim
Des-me-di-da [mente]
Adormecendo o ciúme
Arrefecendo a saudade que há em mim.

Aprendi no meu silêncio
A te querer
Deste meu jeito meio disfarçado
Camuflado dos olhares
E escancarado só para você.

Eu fecho os olhos e tento te trazer
Para os meus braços
E assim
Quem sabe ter você
Mesmo sabendo da tua boca
Em outros beijos
Meu coração insiste em te querer.

Uma saudade tão presente
Que mesmo você ausente
Tudo fica calmo
Quando lembro do teu corpo
Tocando o meu.
Finjo não ver os teus des-li[zes]
Porque me faltam forças
Pra te esquecer.

*ouvindo Fagner

                                          


CHEIRO DE OUTONO


CHEIRO DE OUTONO

No teu rastro - o encanto de outono
um tímido olhar 
entre as folhas secas
carreira de cores a meio tom
aceitam as tuas asas de anjo
quando você passa por mim
exalando teu perfume,
assim
desejo puro
te acendendo em mim.

terça-feira, 5 de junho de 2012

TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


Entre as folhas caídas
Serpenteiam os passos do silêncio.
Veredicto
Da saudade de outros tempos.
Voos rasteiros
Reverberando a plasticidade
Das nervuras da minha alma
Nos ecos da tua alma.
E entre um dia e outro
Entre um passo e outro
Estende-se a brancura envolvente
Que cala no meu peito
A projeção dos teus sonhos.
Sopra um vento triste
Desenhando arabescos no céu
E levantando a barra do olhar
O espelho d’água
Beija
A ilusão do amor translúcido
Que pulsa
Na serenidade do branco
E entalha o amor
E as rendas de pedra. *


"És o meu amor!"

ESTRELAS




ESTRELAS

Esta luz indireta que vem pela janela
desenha seu rosto nas paredes do meu quarto.
Ainda na minha pele o ardor dos teus carinhos.
Ainda nos meus lábios o gosto dos teus beijos...

Essa música...

...parece que vem das estrelas!!

Sinto vontade de dançar.
Vejo seu rosto pelas paredes
as cortinas esvoaçam
a música me preenche feito luz
poeira de estrelas
Flutuo pelo quarto
suspensa em seus braços
me perco em seus lábios...
Ficar em você
assim
pela eternidade da noite.

Tento adormecer... quero dormir... não consigo...

Você esta em mim!
                                                 
                                               

segunda-feira, 4 de junho de 2012

TEM CERTAS COISAS...


TEM CERTAS COSAS...

Alem deste perfume de avelãs,
Um quintal e seus poemas.
Vermelhos
Mordentes
Morrentes
Na ponta da minha língua,
Empoleirados nos galhos
Sobre este verde mar
Que lambe meus pés
Em ondas
Eternas ondas,
Alforria da minha vontade
Correria da minha meninice
Pique-esconde,
Jogo de  amarelinhas
E empinando as pipas
Neste anil
Céu do meu amanhã.
Entre os pontos de cruz
Na barra do dia,
Um nó e uma laçada
Uma lambida no dedo
Doce de leite
Saliva de hortelã
No céu da minha boca
Um cometa beija uma estrela Cadente.
Vem, vem brincar
Vem beijar.

Rsrsrsrsrs....


PLENITUDE



PLENITUDE

O que me sustenta
é esta
vermelhidão
que corre em minha carne.
Seiva!
Líquido rubi 
lava incandescente
me revestindo os poros.
Tinta carmim,
vermelhor de mim
acalanto
rebentação,
pétala,
hálito quente,
flor do oriente
me aquece,
vulcão de mim!

ESQUINAS


ESQUINAS

“E era outra a origem da tristeza. E era outro o canto que  acordava o coração para a alegria. Tudo que amei, amei sozinho”.
                                                                    E.A. Poe



Não me compadeço
Deste grito que alcança
O infinito
Chegando a escorrer
Enquanto as portas se fecham,
Nem deste horizonte entalhado
Que aparta o dia e a noite
Incendiando cartazes
De ninfetas esquálidas, erráticas,
Anjos da discordância,
Sucumbindo na solidão cárnea
Que arrebata a cor
De cada olho cego.
Não me compadeço
Nem deste sol a pino
Que seca a mão
E o ventre daquela que
Inutilmente pode parir
E esconde o lençol
Sujo de sangue e barro
Colocando-se na mira
Das carabinas.
Não me compadeço
Destes pássaros famintos
E suas asas abertas,
Estendidas nas paisagens da imaginação,
Revelando a densidão de cada vôo,
Nem das suas carnes magras
Que revestem a brancura dos seus ossos
Enganosamente imortais.
Não me compadeço
Desta multidão enlouquecida
E seu cheiro de urina
E suas sombras decapitadas
E seu riso febril
Instrumento das ladainhas,
Que mistura angustia
E cal
No pão seco
Dos filhos desta fome.
Não me compadeço
Dos meninos e suas dores,
Do sono dos homens,
Das mãos calejadas,
Do relógio que desandou,
Da aliança que não se fez,
Do sonho que acabou,
Do cheiro do estrume,
Da lágrima da virgem,
Do pó da terra,
Do leme do barco,
Da vida em riste,
Do muro triste,
Da menina que ri.
Não me compadeço
Do amor e seus tormentos,
Seus véus caídos, seus aleijões,
Sua desfigurada sonolência,
Sua incerteza, sua covardia,
Sua dor e seu humilhante ofício de enganar.
Não me compadeço
Da vida
Nem da morte.
O que me seduz
É esta desesperada solidão arquejante
Aflita, quente, sofrida.
Engolindo-me
Castigando-me a amplidão do olhar
Que ainda contempla
Noites frias e azuis
Onde o silencio propicia
O corte preciso e suave
E o gotejar solene
Deste vermelho delírio insano
Que corre em mim.

CATEDRAL


CATEDRAL


A seqüência lenta dos minutos
que se adiantam
são como as contas de um rosário.
Não há dor,
somente um bem estar
soprado em cada Ave Maria e
embalado no partir de cada hóstia
embebida no sangue
das uvas
tintas desta vermelhidão
que se derrama

nos vitrais
abençoando a hora sexta,
NOA!






MEL



MEL

A lascívia
em minhas mãos
despem o teu medo
na simetria de um pensamento concêntrico.
E a tua pele
rubra
aos meus pés
esparramada,
quando a noite se liquefaz

((mel entre os meus lábios))

E os teus dedos
nos meus gritos roucos
enquanto
o mundo gira neste caleidoscópio
esfacelando as cores
deste olhar vermelho
que devora a tua boca,
minha boca...

Não sei mais...

Só este tempo
e esta constante vibração,
na agressividade
de um desejo,
meu puro amor.