sexta-feira, 13 de julho de 2012
POESIA I
POESIA I
Cada gota de silencio
vibra na catedral onde sustento
os meus amanheceres
Cada gota que vibra e escorre
mansamente
vai delineando
meu caminhar entre as pedras e os espinhos
E sob o olhar das gárgulas
meus ossos ainda molhados
tremem
Um frio de morte
um fino corte
um olhar tão mudo
que falou de tudo
mesmo sem dizer nada.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
DO MEU AMOR
DO MEU AMOR
Acordei e não te senti ao meu lado...
Ouvi o canto estridente de uma cigarra
isso
trouxe a solidão para dentro de mim...
Ah, meu amor, se voce tivesse coragem
de mudar um pouco as coisas.
Se tivesse coragem de nos dar uma chance
eu poderia te cobrir
com o manto de amor que teci
em silencio enquanto voce apenas dormia...
Eu poderia te dar
cada estrela azul, vermelha ou amarela
cada por do sol
cada gota de orvalho ainda frio
do silêncio da noite.
Cada grão de areia colorida
cada concha do mar com sua perola
cada beijo meu e
cada pedaço da minha alma...
Se voce tivesse coragem
de abrir a porta
e se soltar nos braços meus
a eternidade de um sorriso aconteceria
no bater do meu coração.
O SONHO QUE EU SONHO
O SONHO QUE EU SONHO
O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também
para poder falar de amor
sem ter que morrer depois.
O sonho que eu sonho
é sonho colorido
é mecha de arco íris no olho do beija flor
é luz de vagalume dizendo do meu amor.
O sonho que eu sonho
é sonho encantado
é poesia é luz de estrela
é riso na hora do amor.
O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também...
OS TEUS DESLIZES
OS TEUS DESLIZES
Não sei de onde vem este gostar
Tão profundo
Que me faz te querer assim
Des-me-di-da [mente]
Adormecendo o ciúme
Arrefecendo a saudade que há em mim.
Aprendi no meu silêncio
A te querer
Deste meu jeito meio disfarçado
Camuflado dos olhares
E escancarado só para você.
Eu fecho os olhos e tento te trazer
Para os meus braços
E assim
Quem sabe ter você
Mesmo sabendo da tua boca
Em outros beijos
Meu coração insiste em te querer.
Uma saudade tão presente
Que mesmo você ausente
Tudo fica calmo
Quando lembro do teu corpo
Tocando o meu.
Finjo não ver os teus des-li[zes]
Porque me faltam forças
Pra te esquecer.
*ouvindo Fagner
CHEIRO DE OUTONO
CHEIRO DE OUTONO
No teu rastro - o encanto de outono
um tímido olhar
entre as folhas secas
carreira de cores a meio tom
aceitam as tuas asas de anjo
quando você passa por mim
exalando teu perfume,
assim
desejo puro
te acendendo em mim.
terça-feira, 5 de junho de 2012
TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ
TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ
Entre as folhas caídas
serpenteiam os versos do silêncio.
Veredicto
da saudade de outros tempos
em voos rasteiros que
reverberam a plasticidade
das nervuras da minha pele
no eco da tua alma.
E entre um dia e outro
entre um passo e outro
estende-se a brancura envolvente
que cala no meu peito
a projeção dos teus sonhos.
Sopra um vento triste que
desenha arabescos no céu,
levanta a barra do olhar
sobre o espelho d’água
enquanto eu beijo
a ilusão do amor translúcido
que pulsa
na serenidade do branco
e entalho o amor
e as rendas de pedra. *
"És o meu amor!"
ESTRELAS
ESTRELAS
Esta luz indireta que vem pela janela
desenha seu rosto nas paredes do meu quarto.
Ainda na minha pele o ardor dos teus carinhos.
Ainda nos meus lábios o gosto dos teus beijos...
Essa música...
...parece que vem das estrelas!!
Sinto vontade de dançar.
Vejo seu rosto pelas paredes
as cortinas esvoaçam
a música me preenche feito luz
poeira de estrelas
Flutuo pelo quarto
suspensa em seus braços
me perco em seus lábios...
Ficar em você
assim
pela eternidade da noite.
Tento adormecer... quero dormir... não consigo...
Você esta em mim!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
TEM CERTAS COISAS...
TEM CERTAS COSAS...
Alem deste perfume de avelãs,
Um quintal e seus poemas.
Vermelhos
Mordentes
Morrentes
Na ponta da minha língua,
Empoleirados nos galhos
Sobre este verde mar
Que lambe meus pés
Em ondas
Eternas ondas,
Alforria da minha vontade
Correria da minha meninice
Pique-esconde,
Jogo de amarelinhas
E empinando as pipas
Neste anil
Céu do meu amanhã.
Entre os pontos de cruz
Na barra do dia,
Um nó e uma laçada
Uma lambida no dedo
Doce de leite
Saliva de hortelã
No céu da minha boca
Um cometa beija uma estrela Cadente.
Vem, vem brincar
Vem beijar.
Rsrsrsrsrs....
PLENITUDE
PLENITUDE
O que me sustenta
é esta
vermelhidão
que corre em minha carne.
Seiva!
Líquido rubi
lava incandescente
me revestindo os poros.
Tinta carmim,
vermelhor de mim
acalanto
rebentação,
pétala,
hálito quente,
flor do oriente
me aquece,
vulcão de mim!
ESQUINAS
“E era outra a origem da tristeza.
E era outro o canto que acordada o coração para a alegria.
Tudo que amei, amei sozinho".
Edgar Alan Poe
ESQUINAS
Não me compadeçoDeste grito que alcançaO infinitoChegando a escorrerEnquanto as portas se fecham,Nem deste horizonte entalhadoQue aparta o dia e a noiteIncendiando cartazesDe ninfetas esquálidas, erráticas,Anjos da discordância,Sucumbindo na solidão cárneaQue arrebata a corDe cada olho cego.Não me compadeçoNem deste sol a pinoQue seca a mãoE o ventre daquela queInutilmente pode parirE esconde o lençolSujo de sangue e barroColocando-se na miraDas carabinas.Não me compadeçoDestes pássaros famintosE suas asas abertas,Estendidas nas paisagens da imaginação.
Revelando a densidão de cada voo,Nem das suas carnes magrasQue revestem a brancura dos seus ossosEnganosamente imortais.Não me compadeçoDesta multidão enlouquecidaE seu cheiro de urinaE suas sombras decapitadasE seu riso febrilInstrumento das ladainhas,Que mistura angustiaE calNo pão secoDos filhos desta fome.Não me compadeçoDos meninos e suas dores,Do sono dos homens,Das mãos calejadas,Do relógio que desandou,Da aliança que não se fez,Do sonho que acabou,Do cheiro do estrume,Da lágrima da virgem,Do pó da terra,Do leme do barco,Da vida em riste,Do muro triste,Da menina que ri.Não me compadeçoDo amor e seus tormentos,Seus véus caídos, seus aleijões,Sua desfigurada sonolência,Sua incerteza, sua covardia,Sua dor e seu humilhante ofício de enganar.Não me compadeçoDa vidaNem da morte.O que me seduzÉ esta desesperada solidão arquejanteAflita, quente, sofrida.Engolindo-meCastigando-me a amplidão do olharQue ainda contemplaNoites frias e azuisOnde o silencio propiciaO corte preciso e suaveE o gotejar soleneDeste vermelho delírio insanoQue corre em mim.
CATEDRAL
CATEDRAL
A seqüência lenta dos minutos
que se adiantam
são como as contas de um rosário.
Não há dor,
somente um bem estar
soprado em cada Ave Maria e
embalado no partir de cada hóstia
embebida no sangue
das uvas
tintas desta vermelhidão
que se derrama
nos vitrais
abençoando a hora sexta,
NOA!
MEL
MEL
A lascívia
em minhas mãos
despem o teu medo
na simetria de um pensamento concêntrico.
E a tua pele
rubra
aos meus pés
esparramada,
quando a noite se liquefaz
((mel entre os meus lábios))
E os teus dedos
nos meus gritos roucos
enquanto
o mundo gira neste caleidoscópio
esfacelando as cores
deste olhar vermelho
que devora a tua boca,
minha boca...
Não sei mais...
Só este tempo
e esta constante vibração,
na agressividade
de um desejo,
meu puro amor.
A lascívia
em minhas mãos
despem o teu medo
na simetria de um pensamento concêntrico.
E a tua pele
rubra
aos meus pés
esparramada,
quando a noite se liquefaz
((mel entre os meus lábios))
E os teus dedos
nos meus gritos roucos
enquanto
o mundo gira neste caleidoscópio
esfacelando as cores
deste olhar vermelho
que devora a tua boca,
minha boca...
Não sei mais...
Só este tempo
e esta constante vibração,
na agressividade
de um desejo,
meu puro amor.
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