sábado, 26 de março de 2016

SÓ AMOR


Só Amor
A quietude desta hora
desnuda-me
diante do templo – teus olhos.
Onde a decência

entremeada de ventos fonéticos
faz acordar a sacerdotisa enamorada
que traz em suas mãos
óleo perfumado
e mirra...
Clã da minha existência

obedientes aos segredos
da fonte secreta
murmurem em meus ouvidos
as palavras que meus lábios
depositarão em tua alma
fazendo clarear
o teu semblante adormecido na dúvida.
É sabido

que o teu coração/meu coração
pedra e sangue
espírito e carne
pulsam e vibram
juntos.
Nascemos juntos

na memória do pó
e na taça que sacia a sede do amor
e somente a vida
conduz-nos nesta pauta
de notas aconchegadas
na luz que me revela as tuas mãos.
Amor meu,

carrego a demora dos dias
em cada abraço
a ânsia da tua boca, em cada respiração
e a tua existência
gravada na minha existência.
Como separar minha alma da tua

se o perfume da vida exala?!
Fala amor meu, fala.
O que inocenta a minha agonia

e o meu bem querer?!
O que pode alegrar a noite

quando a lua já se foi?!
Como construir sonhos

quando a alegria é triste?...
Como sentir a luz

se a sombra
aos meus pés rasteja?!
Só o amor que te tenho

 viaja este deserto pulsante de cores
e reluz aos teus pés
entre o ouro e a prata
nutrindo minh'alma no silencio das palavras 
que os meus lábios ainda não disseram.

para Odur 


Nenhum comentário:

Postar um comentário