terça-feira, 6 de julho de 2021

AO VENTO

 


AO VENTO

 

Com as mãos nuas escavo a terra

sangro um verso

qu'escorre no lume do olhar

feito clarão de fogo fátuo

 

Nasce em mim

estranha existência

um sonambulismo

que aos poucos desvanece no horizonte

onde o abandono se faz necessário

no laço de um abraço que se desfaz

 

E ao vento da noite

o meu verso é necessário

enquanto eu silencio a voz

e adormeço num casulo

a me perscrutar...




imagem: Flor do Campo

aquarela sobre papel

Luciah Lopes

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