sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ADELAIDE CARRARO



  ADELAIDE CARRARO


Fugidio olhar cor de mel...

Onde mora a felicidade
Desse olhar adocicado_______olhar de anjo
Boca de tentação recitando poesias
Acordando anjos e demônios
Acendendo o desejo nos homens
E a inveja nas ‘carpideiras’, sempre envoltas
Em sombras de renda negra...

De onde vem esses lábios vermelhos ((so_risos)) e
Beijos/palavras/sussurros_________Aos ouvidos
A ternura se revela e n’alma se instala – amor sem igual!

Em segredo_________(( segredos se fazem! ))

Nos toques e nas escritas, nos olhares que
Adormecem a postura natural
De ser uma mulher incomum em
Tempo e hora presentes.

Eu sou assim. Um pouco de mim
Um pouco de Adelaide...
Passeando lado a lado entre o açoite
E a loucura_______mas sem medo de amar.



*Adelaide Carraro - 30/07/1936 - 07/01/1992
Deixou uma obra com mais de 40 livros editados.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ABRAÇOS



... nos meus braços tomo a saudade 
e a beijo 
( e neste encantamento eu penso em você)
como se meus braços o teu abraço
fossem abraçar...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

VERSOS TRISTES



VERSOS TRISTES

Sou apenas um poema
Rabiscado e esquecido numa página qualquer
Um poema triste que fala de amor
E de muitas lágrimas...

Queria ser letras sorrindo
Gravadas num coração
Na casca dura e perfumada
De uma árvore florida...

Queria as letras do teu nome
Cruzadas com o meu
Numa tatuagem colorida
Eternizada na pele...

Mas sou apenas estes versos
Tristes que falam de saudade,
Esquecidos numa gaveta qualquer
Que o tempo se incumbe de amarelar...

EU TE AMO



EU TE AMO


Eu te digo “eu te amo”

nas horas mais impróprias
Nos momentos mais loucos
Quando o tempo se deita
encobrindo a barra da tarde...
Eu te amo em cada sopro do vento
Que me canta a tua voz
Em cada flor que se abre
Nos seus lábios/amor
Em cada estrela que acende
Nos teu olhar
Em cada gota de orvalho
Nas tuas mãos/conchas d’água
para matar minha sede.
Eu te amo além, muito além dos limites
Da vida e da morte
Da razão e da loucura.
Além dos planos e dos anseios
Além de toda dor e toda lágrima
Eu te amo, porquê você é parte minha
Corre em minha existência
Sangue/fel/mel da tua boca que me alimenta
Enquanto te espero no vão do tempo
Pois o amor não morre – [fortifica-se!]
E calado se dá, numa entrega total.
Eu te amo e você vive.
Eu te amo e eu vivo.

MACABEA


MACABEA


Arrê!... estrela que acende azul
alumiando a vastidão que acredita
no sopro do vento. 
desse vento que roda o mundo
girando obediente à rosa dos ventos.
Entre os rabiscos da virgem que tece
rendas - as vagas lembraças do navio
carregado de sonhos e o cheiro das goiabas maduras...
A paixão é a fantasia
é a diva - a estrela maior!
Mas quando chega o poente e atropela
as letras, lembra-se que é medíocre
e os erros saltam as palavras - semântica/ticaseman
léxico/lé_xi_co [xicolé/colixé/loxicé - formiga lava-pé]
A noite vem desembocar aqui
e o cisco cai do olho sem ser soprado...
...hoje é a noite da minha noite!

terça-feira, 17 de julho de 2012

TRISTESSE




TRISTESSE

E ao saber-te um vento brando
Que suave passa
_____________acariciando a flor
à beira d’água,
frágil sentimento desabrochou.


Sem mais medos desdobrei o olhar

e a te, me entreguei.
Sem os medos de outras eras
minh'alma, envolta em linho branco
Aos teus pés, eu descansei.

E de amor e por amor
os olhos marejados temem agora
ante a  vil serpente rastejante
a enrodilhar-se entre a vida e o amor.

Oh, dor que arde e sangra e cala
e se deita e não adormece...

Essa dor lateja no meu peito
________________ ferro em brasa
na forja do medo 
que arrefece a certeza dos sonhos, mas
não silencia o amor.

Oh, dor ...caminha longe dos meus olhos,
das minhas lágrimas _________Afaste!
Irrompe em vida explodindo a vida
para sempre o teu amor em mim!




*para Constan Baruc

SAUDADE


SAUDADE

Esse uni_VERSO
desfalecido
antecipado à sua chegada
atormenta
esquartejando o corpo frágil
da poesia
refugiada entre os lírios d'água...

A LOUCURA AINDA DANÇA AQUI


A LOUCURA AINDA DANÇA AQUI


[A solidão é feito uma aranha tecendo a teia...]




Há um frio intenso entre a loucura e a razão
e tudo me parece ser tão lento
até mesmo os pássaros em seu bater de asas


A loucura dança comigo
sobre as folhas secas de inverno
e os pardais_________voam!

Os pardais assim como as borboletas
são cegos
e voam debatendo-se entre amor
e os sonhos.


Humpty Dumpty - as palavras são assim!


Facas de fino gume - a essência do espírito
na delícia do corte
que desmembra o ser______e a sombra.


A loucura dança comigo

no medo e na solidão
finda o eco das palavras
embrulhadas em papel de arroz
 são pequenos universos!


Humpty Dumpty__a felicidade mora aqui

entre as letras destes versos sem rima
a felicidade abre uma porta 
depois da outra
e nos escondemos um pouco 
atrás cada uma!




sexta-feira, 13 de julho de 2012

POESIA III


POESIA III



Era tão suave e tão frágil
Que dançava ao sopro de um hálito
E queria ser mais do que era
E sonhava o que queria ser
Tanto sonhou
Tanto dançou na luz dos vaga lumes
Que se esqueceu
Que a dor acende e apaga
E o coração desfalece
Enquanto arrefece o sonho
De ser alguém.



POESIA II


POESIA II

Perolas d’água
Fazem brilho de caleidoscópio
Na ondulação rósea/carmim
Beijadas pelo vento
Que acorda o dia.

POESIA I


POESIA I

Cada gota de silencio
vibra na catedral onde sustento
os meus amanheceres
Cada gota que vibra e escorre
mansamente
vai delineando
meu caminhar entre as pedras e os espinhos
E sob o olhar das gárgulas
meus ossos ainda molhados
tremem
Um frio de morte
um fino corte
um olhar tão mudo
que falou de tudo
mesmo sem dizer nada.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

DO MEU AMOR


DO MEU AMOR

Acordei e não te senti ao meu lado...
Ouvi o canto estridente de uma cigarra
isso
trouxe a solidão para dentro de mim...
Ah, meu amor, se voce tivesse coragem
de mudar um pouco as coisas.
Se tivesse coragem de nos dar uma chance
eu poderia te cobrir
com o manto de amor que teci
em silencio enquanto voce apenas dormia...
Eu poderia te dar
cada estrela azul, vermelha ou amarela
cada por do sol
cada gota de orvalho ainda frio
do silêncio da noite.
Cada grão de areia colorida
cada concha do mar com sua perola
cada beijo meu e
cada pedaço da minha alma...
Se voce tivesse coragem
de abrir a porta
e se soltar nos braços meus
a eternidade de um sorriso aconteceria
no bater do meu coração.

O SONHO QUE EU SONHO



O SONHO QUE EU SONHO

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também
para poder falar de amor
sem ter que morrer depois.

O sonho que eu sonho
é sonho colorido
é mecha de arco íris no olho do beija flor
é luz de vagalume dizendo do meu amor.

O sonho que eu sonho
é sonho encantado
é poesia é luz de estrela
é riso na hora do amor.

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também...

OS TEUS DESLIZES




OS TEUS DESLIZES  


Não sei de onde vem este gostar
Tão profundo
Que me faz te querer assim
Des-me-di-da [mente]
Adormecendo o ciúme
Arrefecendo a saudade que há em mim.

Aprendi no meu silêncio
A te querer
Deste meu jeito meio disfarçado
Camuflado dos olhares
E escancarado só para você.

Eu fecho os olhos e tento te trazer
Para os meus braços
E assim
Quem sabe ter você
Mesmo sabendo da tua boca
Em outros beijos
Meu coração insiste em te querer.

Uma saudade tão presente
Que mesmo você ausente
Tudo fica calmo
Quando lembro do teu corpo
Tocando o meu.
Finjo não ver os teus des-li[zes]
Porque me faltam forças
Pra te esquecer.

*ouvindo Fagner

                                          


CHEIRO DE OUTONO


CHEIRO DE OUTONO

No teu rastro - o encanto de outono
um tímido olhar 
entre as folhas secas
carreira de cores a meio tom
aceitam as tuas asas de anjo
quando você passa por mim
exalando teu perfume,
assim
desejo puro
te acendendo em mim.

terça-feira, 5 de junho de 2012

TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


Entre as folhas caídas
serpenteiam os versos do silêncio.
Veredicto
da saudade de outros tempos
em voos rasteiros que
reverberam a plasticidade
das nervuras da minha pele
no eco da tua alma.
E entre um dia e outro
entre um passo e outro
estende-se a brancura envolvente
que cala no meu peito
a projeção dos teus sonhos.
Sopra um vento triste que
desenha arabescos no céu,
 levanta a barra do olhar
sobre o espelho d’água
enquanto eu beijo
a ilusão do amor translúcido
que pulsa
na serenidade do branco
e entalho o amor
e as rendas de pedra. *


"És o meu amor!"

ESTRELAS




ESTRELAS

Esta luz indireta que vem pela janela
desenha seu rosto nas paredes do meu quarto.
Ainda na minha pele o ardor dos teus carinhos.
Ainda nos meus lábios o gosto dos teus beijos...

Essa música...

...parece que vem das estrelas!!

Sinto vontade de dançar.
Vejo seu rosto pelas paredes
as cortinas esvoaçam
a música me preenche feito luz
poeira de estrelas
Flutuo pelo quarto
suspensa em seus braços
me perco em seus lábios...
Ficar em você
assim
pela eternidade da noite.

Tento adormecer... quero dormir... não consigo...

Você esta em mim!
                                                 
                                               

segunda-feira, 4 de junho de 2012

TEM CERTAS COISAS...


TEM CERTAS COSAS...

Alem deste perfume de avelãs,
Um quintal e seus poemas.
Vermelhos
Mordentes
Morrentes
Na ponta da minha língua,
Empoleirados nos galhos
Sobre este verde mar
Que lambe meus pés
Em ondas
Eternas ondas,
Alforria da minha vontade
Correria da minha meninice
Pique-esconde,
Jogo de  amarelinhas
E empinando as pipas
Neste anil
Céu do meu amanhã.
Entre os pontos de cruz
Na barra do dia,
Um nó e uma laçada
Uma lambida no dedo
Doce de leite
Saliva de hortelã
No céu da minha boca
Um cometa beija uma estrela Cadente.
Vem, vem brincar
Vem beijar.

Rsrsrsrsrs....


PLENITUDE



PLENITUDE

O que me sustenta
é esta
vermelhidão
que corre em minha carne.
Seiva!
Líquido rubi 
lava incandescente
me revestindo os poros.
Tinta carmim,
vermelhor de mim
acalanto
rebentação,
pétala,
hálito quente,
flor do oriente
me aquece,
vulcão de mim!

ESQUINAS



“E era outra a origem da tristeza. 
E era outro o canto que acordada o coração para a alegria. 
Tudo que amei, amei sozinho". 
Edgar Alan Poe 
                                                          

ESQUINAS

Não me compadeço
Deste grito que alcança
O infinito
Chegando a escorrer
Enquanto as portas se fecham,
Nem deste horizonte entalhado
Que aparta o dia e a noite
Incendiando cartazes
De ninfetas esquálidas, erráticas,
Anjos da discordância,
Sucumbindo na solidão cárnea
Que arrebata a cor
De cada olho cego.
Não me compadeço
Nem deste sol a pino
Que seca a mão
E o ventre daquela que
Inutilmente pode parir
E esconde o lençol
Sujo de sangue e barro
Colocando-se na mira
Das carabinas.
Não me compadeço
Destes pássaros famintos
E suas asas abertas,
Estendidas nas paisagens da imaginação. 
Revelando a densidão de cada voo,
Nem das suas carnes magras
Que revestem a brancura dos seus ossos
Enganosamente imortais.
Não me compadeço
Desta multidão enlouquecida
E seu cheiro de urina
E suas sombras decapitadas
E seu riso febril
Instrumento das ladainhas,
Que mistura angustia
E cal
No pão seco
Dos filhos desta fome.
Não me compadeço
Dos meninos e suas dores,
Do sono dos homens,
Das mãos calejadas,
Do relógio que desandou,
Da aliança que não se fez,
Do sonho que acabou,
Do cheiro do estrume,
Da lágrima da virgem,
Do pó da terra,
Do leme do barco,
Da vida em riste,
Do muro triste,
Da menina que ri.
Não me compadeço
Do amor e seus tormentos,
Seus véus caídos, seus aleijões,
Sua desfigurada sonolência,
Sua incerteza, sua covardia,
Sua dor e seu humilhante ofício de enganar.
Não me compadeço
Da vida
Nem da morte.
O que me seduz
É esta desesperada solidão arquejante
Aflita, quente, sofrida.
Engolindo-me
Castigando-me a amplidão do olhar
Que ainda contempla
Noites frias e azuis
Onde o silencio propicia
O corte preciso e suave
E o gotejar solene
Deste vermelho delírio insano
Que corre em mim.