quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PASSAGEM




Passagem

Sinto-me só...
Perambulo por ruas desertas
porões e sótãos
cobertos de umidade e poiera.
Arrasto-me nesta miséria noturna
buscando por um tempo
que não existe mais.
Deixo em cada passo
nesta lama,
Um pedaço de mim.
E neste silêncio feral
deixo correr meu olhar de tristeza
para onde uma estrela explodiu.






*

terça-feira, 9 de agosto de 2011

TRISTEZA



TRISTEZA

Porque choras minha alma,
se tens asas para ser feliz?!
Que liberdade podes queres,
que em meus sonhos não possas ter?!

*

CAFÉ DA MANHÃ


Café da Manhã

Acorda...
Já é de manhã.
Vem tomar café comigo,
Preparei uma mesa
Tão linda,
Você vai gostar...

Mas, antes me dá um beijo,
Abraça-me e me ama
Aqui mesmo na cama
Mostra-me o que sabe
Faça meu dia vibrar.
Vem... eu te espero,
Meu tempo é pouco
Não me deixe sozinha,
Vem ouvir minha voz,
Não me dê seu silêncio,
Agora, que eu sei
Te amar...
*

GLORIA VICTS !




Gloria Victs!

Meu sangue pulsando
Enquanto meus pés
Agonizam
No labirinto dos teus passos.

Celebrando a distância
Meu sol se põe
Em teias de prata,
Inflorescências pendentes
Alegorias de amor.

Neste arrebol
De corpúsculos luminosos
Banho meu corpo
Em águas das tuas águas.


MALÍCIA


MALÍCIA 

Vento de vendaval
Descobre a nudez do deserto
Faz passear os olhos que me olham
Na curva das minhas costas...
Escorrega as suas areias pelos meus labirintos
E desenhando um nome na minha pele nua
Crua de desejos e malícias
Acorda a fêmea que há em mim.
Açoita minhas coxas
Desça pelos meus seios sucumbindo amores
Em meus ouvidos
E calores nos meus infinitos gozos.
Vento de vendaval
Sopre o calor sobre mim
Vertendo o suor de cada poro
Sal para sua boca
Vida para seus sonhos.

ILUSÕES






ILUSÕES

A ilusão tece
As suas teias sobre a íris.
Fumaça amarela
Luz de lampião
Rebrilha este sino
Repicando suas notas,
Dolorosas
Escorrem, feito choro de anciã.
Maria Bonita no sertão
Tece uma renda
Bilros, bilros, bilros...
Gume de um facão
Raspa de tacho
Na fundura de um dedal.
Doce da cana
Mel de avelã
Suor de maçãs e
Na boca do mundo
Cuspe de anis e hortelã.
Na pele de seda
Esfregaço de mel e sassafrás.
Nas mãos uma renda
Uma fenda,
Flor vermelha...
Meia vida
Mentira nada mais.



*

CORPO NU



CORPO NU

Do teu corpo nu, eu sou a sombra.
Quando se separa a pétala do cálice
Nesta dourada taça
Que me oferece
E no verniz das ceras que te revestem.
Do teu suor, eu sou o sal.
Que inexoravelmente arde tuas feridas
A meia noite enquanto te impregnas
Desta ardência nervosa que me atrevo a te entregar.
Do teu fôlego, eu sou o ar.
Que imperceptivelmente te alimenta
Enquanto executas pensamentos devassos.
Do teu sangue, eu sou a vida.
Que te escorre em fontes omnímodas
E alimenta a voracidade vermelha das minhas entranhas.



Dos teus sonhos, sou a alegoria.
Incógnita hibridez da tua lascívia
Para sempre inscrita na tua memória.




*

LUZ PARA OS MEUS PÉS



LUZ PARA OS MEUS PÉS 

Sinto a tristeza bater no umbral de minha porta 
enquanto tento entender a purificação 
do amor no crisol do fogo. 
Enquanto peço, faça-me chegar os Teus rios 
o perfume das Tuas matas, a paz na sombra 
das Tuas florestas, o aconchego do Teu regaço. 

E neste mar que murmura o Teu nome, 
 escreve na areia o Teu sinal 
lava meu coração de toda angústia e de toda ausência. 
Neste exercício de elevação 
me desperta deste rancor que consome, 
que oprime e impõe fracassos doentios. 

Seja eu, viva em Você, na Tua presença 
e no Teu pão de cada dia - mais um gole do Teu vinho. 
No escuro do meu caminho 
Tua palavra seja a luz para meus passos, 
assumindo o norte da minha existência. 
Toma-me em espírito 
quando a noite baixar sobre mim 
 recolha-me em Teus mistérios 
envolvendo-me na Tua luz.







EU - SEMENTE DE POESIA



EU - SEMENTE DE POESIA

Aqui, a luz se dissipa
suave, em notas de si bemol
enquanto os meus olhos
tingem as sementes do girassol
e o vinho se desprende
da videira
em vida vermelha/prisioneira.

Antes que eu volte
a ser eu mesma
as sementes serão lançadas
como gotas de uma chuva
despojada, exilada de tormentas
escorregando
na suavidade das minhas mãos.

A paisagem fragmenta-se [vitral]
refletindo a luz
na metamorfose das palavras
confundindo noite e dia
no desabrochar da açucena.

E o tempo sopra a eternidade
nas sementes de poesia que germinam
nas minhas mãos
fazendo de mim uma oração
antes que a noite
me envolva em suave linho branco
Eu - semente de poesia - floresço.

A LUA

A LUA

Ela caminha cabisbaixa.
Indiferente aos cachorros sem dono que a seguem.
A sombra de cada poste passa trazendo uma mescla de tristeza e solidão.
Sente o coração - sabe que esta viva. Viva!
Estar viva, mas, por quê?
Lentamente seus olhos buscam a lua.
Pálida. Silenciosa. Pendurada num pedaço do céu.
Ama a lua.
Sonha com a sua quietude – com sua solidão.
Ela é a lua!
Sente-se assim – pendurada num pedaço do céu.
Sente o vento nos cabelos – o vento pode atravessar seu corpo, sente-se assim, fluída.
Abre os braços e continua caminhando.
Abre a boca buscando o ar à encher-lhe os pulmões.
Esta vazia. Vazia de si. Oca de sentimentos.
Os cachorros seguem calados – observando. Talvez entendam aquilo como uma brincadeira, mas, não participam, apenas observam.
De súbito ela para. Junta as mãos em prece – os olhos marejados se desprendem da lua.
Pássaros noturnos voam baixo.
Tudo é silêncio e solidão.
Triste ela percebe que não pode ser igual a lua.
Suas pernas não suportam o peso do corpo – cai.
Aquieta-se enrodilhada feito um bicho.
Os cachorros deitam-se ao seu lado – silenciosamente aquecem seu corpo durante a noite fria.

*

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

AMOR E SOMBRA


AMOR E SOMBRA

Uma chuva dentro de mim
refresca a dor
faz sossegar minh'alma ardente.
Ah... Chuva, caia incessantemente
afogue, transborde pelos meus poros
vaze esse amor/cadafalso, que me oferece as sombras,
restos e lamúrias...
Escorra em águas,
toda salobridade das palavras dúbias
dos sentimentos cheios de escárnio
mostre a planura dos meus ossos
na brancura das minhas palavras
já sem o eco da palavra amor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CORPOS NUS


CORPOS NUS


Antes que o dia escorra
luzes
pelos nossos corpos nus,
possua-me!
Eleva-me no teu delírio,
gozo da tua alma
entrelaçada à minha.
Somos um só
neste êxtase de sons,
murmurios e gemidos
que adentram o silêncio
da madrugada.
Navega na minha pele,
tão sua
enquanto meu, o teu corpo nu.
Arrebata minha lucidez
com teus beijos
na minha boca
trazendo à tona todo desejo
que te tenho.
Ama-me
antes que o dia acorde
e traga o sol
e o vento sopre acalmando
todo calor do meu corpo.
Ama-me.











quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ARDÊNCIAS

ARDÊNCIAS


O que arde dentro de mim
são os teus breves momentos de lucidez
parindo beijos
carícias
avermelhando
as dobras da minha existência.
O que arde dentro de mim
são os resíduos do teu sol
como pássaros de fogo
sempre voando em bandos
enquanto eu silencio as horas.





.

VOAR

VOAR


Onde estão as minhas asas?!

Cairam?! Desfizeram-se na claridade do teu sol

ardendo sempre a minha pele.

Já não sei voar...

Quero seguir os teus passos

até a linha do horizonte,

e na beira do abimo me olhar por dentro

me definir entre as coisas profanas e sagradas

e depois...

E depois te beijar na hora mais azul do dia.







INEBRIANTE


INEBRIANTE


Dançar com você
entre as nuvens de algodão
onde os versos que se espalham, 
e a lua, lá de cima vai
clareando o chão...


Dançar com você feito criatura alada
amparada pelo seu olhar
que me seduz 
enquanto rodopio nos seus braços.
 Inebriada criatura
tão diáfana que se dilui sem sentir...






sábado, 27 de dezembro de 2008

NÓS DOIS



Anjo,
Não faça isso.
Não adormeça ainda,
Pelo menos até que as flores
Desabrochem.
Espera mais um pouco
Ainda tem uma réstia de luz no horizonte...
Espera,
Parece que ainda temos tempo
Antes que as estrelas cheguem...
Vem anjo, vem. Vamos colorir os muros,
As paredes caiadas, as pontes, as velhas catedrais.
Vamos correr contra o vento
Ou a favor dele, o que importa?!
A engrenagem está perfeita
Não somos fúteis e nem vazios
Não pioramos enquanto cantamos
Velhas canções.
Não somos limitados, baby.
Te quero! Te quero "mucho!"
Assí, assí... Mesmo entediado .
Ou assobiando The Kohl Concert
No jogo de pôquer
Ou dominó
Porque a vida é sublime
E eu aqui com as flores e os pincéis na mão...
Vem, anjo
Vamos grafitar as ruas,
Vislumbrar o amanhã
Porque o teu sorriso me pertence
E a minha "sorritude" é só tua.
Temos o arco íris e as águas Cachoeirais Matagais
Entre tais e ais Muito mais que sentimentos
Nós existimos um no outro,
Somos só nós dois, baby E nada mais.
*

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

AMOR







A lua vermelha que eu desenhei
na tua pele
me fala de coisas
e me acende uma vontade imensa de você...
Te preciso comigo
pois a tua dor também me dói!...










domingo, 14 de setembro de 2008

TARDE


TARDE




Onde se esconde a alegria da tarde
agora que meus olhos
sedentos da sua imagem
despertam
neste retângulo de silêncio
chamado vida?







quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Fugaz















FUGAZ

... os teus olhos são assim, efêmeros.
Neste vai e vem
do fim da tarde, quase boca da noite
o teu olhar fugaz
me passeia sorrateiramente
despindo cálidos pensamentos
soprando beijos nos meus ouvidos.
O teus olhos, são assim...















terça-feira, 12 de agosto de 2008