terça-feira, 5 de junho de 2012

TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


Entre as folhas caídas
serpenteiam os versos do silêncio.
Veredicto
da saudade de outros tempos
em voos rasteiros que
reverberam a plasticidade
das nervuras da minha pele
no eco da tua alma.
E entre um dia e outro
entre um passo e outro
estende-se a brancura envolvente
que cala no meu peito
a projeção dos teus sonhos.
Sopra um vento triste que
desenha arabescos no céu,
 levanta a barra do olhar
sobre o espelho d’água
enquanto eu beijo
a ilusão do amor translúcido
que pulsa
na serenidade do branco
e entalho o amor
e as rendas de pedra. *


"És o meu amor!"

ESTRELAS




ESTRELAS

Esta luz indireta que vem pela janela
desenha seu rosto nas paredes do meu quarto.
Ainda na minha pele o ardor dos teus carinhos.
Ainda nos meus lábios o gosto dos teus beijos...

Essa música...

...parece que vem das estrelas!!

Sinto vontade de dançar.
Vejo seu rosto pelas paredes
as cortinas esvoaçam
a música me preenche feito luz
poeira de estrelas
Flutuo pelo quarto
suspensa em seus braços
me perco em seus lábios...
Ficar em você
assim
pela eternidade da noite.

Tento adormecer... quero dormir... não consigo...

Você esta em mim!
                                                 
                                               

segunda-feira, 4 de junho de 2012

TEM CERTAS COISAS...


TEM CERTAS COSAS...

Alem deste perfume de avelãs,
Um quintal e seus poemas.
Vermelhos
Mordentes
Morrentes
Na ponta da minha língua,
Empoleirados nos galhos
Sobre este verde mar
Que lambe meus pés
Em ondas
Eternas ondas,
Alforria da minha vontade
Correria da minha meninice
Pique-esconde,
Jogo de  amarelinhas
E empinando as pipas
Neste anil
Céu do meu amanhã.
Entre os pontos de cruz
Na barra do dia,
Um nó e uma laçada
Uma lambida no dedo
Doce de leite
Saliva de hortelã
No céu da minha boca
Um cometa beija uma estrela Cadente.
Vem, vem brincar
Vem beijar.

Rsrsrsrsrs....


PLENITUDE



PLENITUDE

O que me sustenta
é esta
vermelhidão
que corre em minha carne.
Seiva!
Líquido rubi 
lava incandescente
me revestindo os poros.
Tinta carmim,
vermelhor de mim
acalanto
rebentação,
pétala,
hálito quente,
flor do oriente
me aquece,
vulcão de mim!

ESQUINAS



“E era outra a origem da tristeza. 
E era outro o canto que acordada o coração para a alegria. 
Tudo que amei, amei sozinho". 
Edgar Alan Poe 
                                                          

ESQUINAS

Não me compadeço
Deste grito que alcança
O infinito
Chegando a escorrer
Enquanto as portas se fecham,
Nem deste horizonte entalhado
Que aparta o dia e a noite
Incendiando cartazes
De ninfetas esquálidas, erráticas,
Anjos da discordância,
Sucumbindo na solidão cárnea
Que arrebata a cor
De cada olho cego.
Não me compadeço
Nem deste sol a pino
Que seca a mão
E o ventre daquela que
Inutilmente pode parir
E esconde o lençol
Sujo de sangue e barro
Colocando-se na mira
Das carabinas.
Não me compadeço
Destes pássaros famintos
E suas asas abertas,
Estendidas nas paisagens da imaginação. 
Revelando a densidão de cada voo,
Nem das suas carnes magras
Que revestem a brancura dos seus ossos
Enganosamente imortais.
Não me compadeço
Desta multidão enlouquecida
E seu cheiro de urina
E suas sombras decapitadas
E seu riso febril
Instrumento das ladainhas,
Que mistura angustia
E cal
No pão seco
Dos filhos desta fome.
Não me compadeço
Dos meninos e suas dores,
Do sono dos homens,
Das mãos calejadas,
Do relógio que desandou,
Da aliança que não se fez,
Do sonho que acabou,
Do cheiro do estrume,
Da lágrima da virgem,
Do pó da terra,
Do leme do barco,
Da vida em riste,
Do muro triste,
Da menina que ri.
Não me compadeço
Do amor e seus tormentos,
Seus véus caídos, seus aleijões,
Sua desfigurada sonolência,
Sua incerteza, sua covardia,
Sua dor e seu humilhante ofício de enganar.
Não me compadeço
Da vida
Nem da morte.
O que me seduz
É esta desesperada solidão arquejante
Aflita, quente, sofrida.
Engolindo-me
Castigando-me a amplidão do olhar
Que ainda contempla
Noites frias e azuis
Onde o silencio propicia
O corte preciso e suave
E o gotejar solene
Deste vermelho delírio insano
Que corre em mim.

CATEDRAL


CATEDRAL


A seqüência lenta dos minutos
que se adiantam
são como as contas de um rosário.
Não há dor,
somente um bem estar
soprado em cada Ave Maria e
embalado no partir de cada hóstia
embebida no sangue
das uvas
tintas desta vermelhidão
que se derrama

nos vitrais
abençoando a hora sexta,
NOA!






MEL



MEL

A lascívia
em minhas mãos
despem o teu medo
na simetria de um pensamento concêntrico.
E a tua pele
rubra
aos meus pés
esparramada,
quando a noite se liquefaz

((mel entre os meus lábios))

E os teus dedos
nos meus gritos roucos
enquanto
o mundo gira neste caleidoscópio
esfacelando as cores
deste olhar vermelho
que devora a tua boca,
minha boca...

Não sei mais...

Só este tempo
e esta constante vibração,
na agressividade
de um desejo,
meu puro amor.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

NA AREIA





NA AREIA


Nas tuas margens

deixei minha alma - amontoada

feito linho branco...

E os teus olhos
me cobriram e tuas mãos

ungiram minha nudez.

E as tuas palavras a

limentaram

a fome e o tormento do existir.

Da tua boca - o beijo

com suavidade a sede encerrou

na minha boca de secura tanta.
.
Na areia

meus pés nus

seguiram os teus pés

deixando rastros paralelos

até que a ultima estrela

surgisse no céu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

LINHA DO TEMPO



Linha do Tempo

Eu estava lá!
Imperceptivelmente flutuando sobre todos os pecados
e todas as lamentações
e dores - e não havia mais tempo entre nascer e morrer.
Rompeu-se a membrana do equilíbrio.
A densidade e o momento se fazem presentes,
tudo se resume no agora
e antes que eu adormeça
ainda há caricias para serem feitas.




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

SUTILEZAS


Esplendorosa

A lua surgiu entre as ramagens
Aragens que decoram as
Fugazes carícias dos teus lábios feito luz
Que me envolve sem pressa,
Enquanto o lenho do amor – sorve o tempo e a distância.

A leveza e ternura
Com sutileza libertam os sonhos que a brisa beija
Despertando cada dia e fazendo
Do meu destino um relicário
Para o teu amor que me toma em suave vertigem
Sorrindo meus olhos somente para você.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ARQUÉTIPO



ARQUÉTIPO

O que vem até a beira dos meus sonhos
escorrega e cai
no precipício dos meus lábios
no desfalecer ambíguo
dos beijos que não te dei
Na promessa transitória
desmentida e insosa
que enfileirada no varal da tua boca
dança como bailarina
com sapatilhas de chumbo.

ESPUMAS



ESPUMAS 

Espumas brancas e solitárias aves
Sobre um mar
Que ainda não foi
Lavado do sal
Nem do fel
Transformam-se em flores,
Madrepérolas nos cabelos
De Afrodite.
E quando minha alma
Transpira e exala o cheiro
Dos pergaminhos
A tua mão afaga os meus cabelos
Ainda úmidos.
E tua boca agora beija um beijo meu.

SONÂMBULA



SONÂMBULA



Tem uma lua em cada olhar
Estrábica figura,
calada, muda, absurdamente muda
Queria escrever poemas,
viu a lua...
Na superfície lunar,
bordou crivos com fios brancos
e pôs-se a dançar
Soprou pensamentos lascivos,
encostou-se no muro,
grafitou-se!
Despiu o sudário
e se fez peregrina,
virgem tosca em dulia matutina
Bacante silenciosa,
obliterada sem dialética,
nua,
esquálida dadiva
da tua indiferença,
prostrada ainda espera
o teu olhar.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

LUZ DE VAGA-LUMES


Tem vaga-lumes na minha janela
Me iluminado enquanto me desnudo
Frente ao teu olhar silencioso
A me envolver como serpente ávida
Por inocular-me o veneno.

Exponho minha nudez ao teu apreço
Ao carinho de tuas mãos
Rendo-me aos teus beijos
E navego no oceano do teu amor.

E lá fora, a luz dos vaga-lumes
Escreve na noite escura
O teu nome e o meu



Acendendo... Apagando...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MEU VERMELHO SANGUE


Cubro-me e te cubro do meu vermelho sangue
Despudoradamente te amo
Neste céu onisciente que se faz presente aos olhos meus
Quando tudo a volta é somente um piar de aves...

Deito-me e te deito no meu aconchego
Bebo teus olhos, tua boca de incenso acalma minha pele
Quando passeia em palavras sobre meus nervos...

Queimo teus cabelos, seco tua saliva
Mastigo teus pensamentos que me alimentam na ausência
Quando te fechas em palavras que não entendo...

E torna-se denso e quente e denso
E assim desta forma lírica te amo
Largada aqui neste tapete da sala.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ESSE BICHO QUE EU SOU


Ah, eu sou assim mesmo
esse bicho que morde
que arranha, que fere e
que lambe a ferida.
Sou assim
este animal, fêmea no cio,
que te segue e te lambe
te morde e te cheira
te derruba e te possui.
Sou mesmo assim
este bicho que sangra, que morre e renasce
de suas próprias entranhas,
sou mesmo assim, esse bicho que te ama...

ARCO ÍRIS


Enquanto te espero jantar
fico revendo minha vida,
assim como num filme,
meus momentos vão desfilando diante de mim.

Como eram meus dias tristes e sem graça
sem a cor do teu olhar, sem teu sorriso
sem teu carinho, sem tua presença.

Não sei como eu vivia
neste casulo sem cor e sem ar
feito borboleta ansiando por voar...

E agora, tem um arco-íris em mim
tem flores no meu jardim
luz em minhas janelas
sorriso em meus lábios
amor no meu coração.

Só posso dizer
que voce trouxe a vida para dentro de mim.

TEU CORPO PÁGINA


Meus lábios descem sobre a tua pele
escrevendo uma poesia molhada
desenhando pelo teu corpo
letras góticas
vermelhas e negras.

E no silêncio do teu arrepio
ouço teu coração
chamando o meu.

E quanto mais escrevo
mais te sinto
mais eu brinco de fazer poesia...

No teu corpo página
meu prazer se derrama
e eterniza o meu amor.