segunda-feira, 27 de agosto de 2012

EU TE AMO



EU TE AMO


Eu te digo “eu te amo”

nas horas mais impróprias
Nos momentos mais loucos
Quando o tempo se deita
encobrindo a barra da tarde...
Eu te amo em cada sopro do vento
Que me canta a tua voz
Em cada flor que se abre
Nos seus lábios/amor
Em cada estrela que acende
Nos teu olhar
Em cada gota de orvalho
Nas tuas mãos/conchas d’água
para matar minha sede.
Eu te amo além, muito além dos limites
Da vida e da morte
Da razão e da loucura.
Além dos planos e dos anseios
Além de toda dor e toda lágrima
Eu te amo, porquê você é parte minha
Corre em minha existência
Sangue/fel/mel da tua boca que me alimenta
Enquanto te espero no vão do tempo
Pois o amor não morre – [fortifica-se!]
E calado se dá, numa entrega total.
Eu te amo e você vive.
Eu te amo e eu vivo.

MACABEA


MACABEA


Arrê!... estrela que acende azul
alumiando a vastidão que acredita
no sopro do vento. 
desse vento que roda o mundo
girando obediente à rosa dos ventos.
Entre os rabiscos da virgem que tece
rendas - as vagas lembraças do navio
carregado de sonhos e o cheiro das goiabas maduras...
A paixão é a fantasia
é a diva - a estrela maior!
Mas quando chega o poente e atropela
as letras, lembra-se que é medíocre
e os erros saltam as palavras - semântica/ticaseman
léxico/lé_xi_co [xicolé/colixé/loxicé - formiga lava-pé]
A noite vem desembocar aqui
e o cisco cai do olho sem ser soprado...
...hoje é a noite da minha noite!

terça-feira, 17 de julho de 2012

TRISTESSE




TRISTESSE

E ao saber-te um vento brando
Que suave passa
_____________acariciando a flor
à beira d’água,
frágil sentimento desabrochou.


Sem mais medos desdobrei o olhar

e a te, me entreguei.
Sem os medos de outras eras
minh'alma, envolta em linho branco
Aos teus pés, eu descansei.

E de amor e por amor
os olhos marejados temem agora
ante a  vil serpente rastejante
a enrodilhar-se entre a vida e o amor.

Oh, dor que arde e sangra e cala
e se deita e não adormece...

Essa dor lateja no meu peito
________________ ferro em brasa
na forja do medo 
que arrefece a certeza dos sonhos, mas
não silencia o amor.

Oh, dor ...caminha longe dos meus olhos,
das minhas lágrimas _________Afaste!
Irrompe em vida explodindo a vida
para sempre o teu amor em mim!




*para Constan Baruc

SAUDADE


SAUDADE

Esse uni_VERSO
desfalecido
antecipado à sua chegada
atormenta
esquartejando o corpo frágil
da poesia
refugiada entre os lírios d'água...

A LOUCURA AINDA DANÇA AQUI


A LOUCURA AINDA DANÇA AQUI


A solidão é feito uma aranha tecendo a teia...




Há um frio intenso entre a loucura e a razão

e tudo me parece ser tão lento
até mesmo os pássaros em seu bater de asas


A loucura dança comigo

sobre as folhas secas de inverno
e os pardais_________voam!

Os pardais assim como as borboletas
são cegos
e voam debatendo-se entre amor
e sonho.


Humpty Dumpty - as palavras são assim!

Facas de fino gume - a essência do espírito
na delícia do corte
que desmembra o ser e a sombra.


A loucura dança comigo

no medo e na solidão
vinda do eco das palavras
embrulhadas em papel de arroz
_________ são pequenos universos!


Humpty Dumpty_________a felicidade

mora aqui
entre as letras destes versos sem rima
____a felicidade abre uma porta depois da outra
e nos escondemos um pouco em cada uma!




sexta-feira, 13 de julho de 2012

POESIA III


POESIA III



Era tão suave e tão frágil
Que dançava ao sopro de um hálito
E queria ser mais do que era
E sonhava o que queria ser
Tanto sonhou
Tanto dançou na luz dos vaga lumes
Que se esqueceu
Que a dor acende e apaga
E o coração desfalece
Enquanto arrefece o sonho
De ser alguém.



POESIA II


POESIA II

Perolas d’água
Fazem brilho de caleidoscópio
Na ondulação rósea/carmim
Beijadas pelo vento
Que acorda o dia.

POESIA I


POESIA I

Cada gota de silencio
vibra na catedral onde sustento
os meus amanheceres
Cada gota que vibra e escorre
mansamente
vai delineando
meu caminhar entre as pedras e os espinhos
E sob o olhar das gárgulas
meus ossos ainda molhados
tremem
Um frio de morte
um fino corte
um olhar tão mudo
que falou de tudo
mesmo sem dizer nada.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

DO MEU AMOR


DO MEU AMOR

Acordei e não te senti ao meu lado...
Ouvi o canto estridente de uma cigarra
isso
trouxe a solidão para dentro de mim...
Ah, meu amor, se voce tivesse coragem
de mudar um pouco as coisas.
Se tivesse coragem de nos dar uma chance
eu poderia te cobrir
com o manto de amor que teci
em silencio enquanto voce apenas dormia...
Eu poderia te dar
cada estrela azul, vermelha ou amarela
cada por do sol
cada gota de orvalho ainda frio
do silêncio da noite.
Cada grão de areia colorida
cada concha do mar com sua perola
cada beijo meu e
cada pedaço da minha alma...
Se voce tivesse coragem
de abrir a porta
e se soltar nos braços meus
a eternidade de um sorriso aconteceria
no bater do meu coração.

O SONHO QUE EU SONHO



O SONHO QUE EU SONHO

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também
para poder falar de amor
sem ter que morrer depois.

O sonho que eu sonho
é sonho colorido
é mecha de arco íris no olho do beija flor
é luz de vagalume dizendo do meu amor.

O sonho que eu sonho
é sonho encantado
é poesia é luz de estrela
é riso na hora do amor.

O sonho que eu sonho
quisera fosse o seu também...

OS TEUS DESLIZES




OS TEUS DESLIZES  


Não sei de onde vem este gostar
Tão profundo
Que me faz te querer assim
Des-me-di-da [mente]
Adormecendo o ciúme
Arrefecendo a saudade que há em mim.

Aprendi no meu silêncio
A te querer
Deste meu jeito meio disfarçado
Camuflado dos olhares
E escancarado só para você.

Eu fecho os olhos e tento te trazer
Para os meus braços
E assim
Quem sabe ter você
Mesmo sabendo da tua boca
Em outros beijos
Meu coração insiste em te querer.

Uma saudade tão presente
Que mesmo você ausente
Tudo fica calmo
Quando lembro do teu corpo
Tocando o meu.
Finjo não ver os teus des-li[zes]
Porque me faltam forças
Pra te esquecer.

*ouvindo Fagner

                                          


CHEIRO DE OUTONO


CHEIRO DE OUTONO

No teu rastro - o encanto de outono
um tímido olhar 
entre as folhas secas
carreira de cores a meio tom
aceitam as tuas asas de anjo
quando você passa por mim
exalando teu perfume,
assim
desejo puro
te acendendo em mim.

terça-feira, 5 de junho de 2012

TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


TAJ MAHAL - UM POEMA PARA VOCÊ


Entre as folhas caídas
serpenteiam os versos do silêncio.
Veredicto
da saudade de outros tempos
em voos rasteiros que
reverberam a plasticidade
das nervuras da minha pele
no eco da tua alma.
E entre um dia e outro
entre um passo e outro
estende-se a brancura envolvente
que cala no meu peito
a projeção dos teus sonhos.
Sopra um vento triste que
desenha arabescos no céu,
 levanta a barra do olhar
sobre o espelho d’água
enquanto eu beijo
a ilusão do amor translúcido
que pulsa
na serenidade do branco
e entalho o amor
e as rendas de pedra. *


"És o meu amor!"

ESTRELAS




ESTRELAS

Esta luz indireta que vem pela janela
desenha seu rosto nas paredes do meu quarto.
Ainda na minha pele o ardor dos teus carinhos.
Ainda nos meus lábios o gosto dos teus beijos...

Essa música...

...parece que vem das estrelas!!

Sinto vontade de dançar.
Vejo seu rosto pelas paredes
as cortinas esvoaçam
a música me preenche feito luz
poeira de estrelas
Flutuo pelo quarto
suspensa em seus braços
me perco em seus lábios...
Ficar em você
assim
pela eternidade da noite.

Tento adormecer... quero dormir... não consigo...

Você esta em mim!
                                                 
                                               

segunda-feira, 4 de junho de 2012

TEM CERTAS COISAS...


TEM CERTAS COSAS...

Alem deste perfume de avelãs,
Um quintal e seus poemas.
Vermelhos
Mordentes
Morrentes
Na ponta da minha língua,
Empoleirados nos galhos
Sobre este verde mar
Que lambe meus pés
Em ondas
Eternas ondas,
Alforria da minha vontade
Correria da minha meninice
Pique-esconde,
Jogo de  amarelinhas
E empinando as pipas
Neste anil
Céu do meu amanhã.
Entre os pontos de cruz
Na barra do dia,
Um nó e uma laçada
Uma lambida no dedo
Doce de leite
Saliva de hortelã
No céu da minha boca
Um cometa beija uma estrela Cadente.
Vem, vem brincar
Vem beijar.

Rsrsrsrsrs....


PLENITUDE



PLENITUDE

O que me sustenta
é esta
vermelhidão
que corre em minha carne.
Seiva!
Líquido rubi 
lava incandescente
me revestindo os poros.
Tinta carmim,
vermelhor de mim
acalanto
rebentação,
pétala,
hálito quente,
flor do oriente
me aquece,
vulcão de mim!

ESQUINAS


ESQUINAS

“E era outra a origem da tristeza. E era outro o canto que  acordava o coração para a alegria. Tudo que amei, amei sozinho”.
                                                                    E.A. Poe



Não me compadeço
Deste grito que alcança
O infinito
Chegando a escorrer
Enquanto as portas se fecham,
Nem deste horizonte entalhado
Que aparta o dia e a noite
Incendiando cartazes
De ninfetas esquálidas, erráticas,
Anjos da discordância,
Sucumbindo na solidão cárnea
Que arrebata a cor
De cada olho cego.
Não me compadeço
Nem deste sol a pino
Que seca a mão
E o ventre daquela que
Inutilmente pode parir
E esconde o lençol
Sujo de sangue e barro
Colocando-se na mira
Das carabinas.
Não me compadeço
Destes pássaros famintos
E suas asas abertas,
Estendidas nas paisagens da imaginação,
Revelando a densidão de cada vôo,
Nem das suas carnes magras
Que revestem a brancura dos seus ossos
Enganosamente imortais.
Não me compadeço
Desta multidão enlouquecida
E seu cheiro de urina
E suas sombras decapitadas
E seu riso febril
Instrumento das ladainhas,
Que mistura angustia
E cal
No pão seco
Dos filhos desta fome.
Não me compadeço
Dos meninos e suas dores,
Do sono dos homens,
Das mãos calejadas,
Do relógio que desandou,
Da aliança que não se fez,
Do sonho que acabou,
Do cheiro do estrume,
Da lágrima da virgem,
Do pó da terra,
Do leme do barco,
Da vida em riste,
Do muro triste,
Da menina que ri.
Não me compadeço
Do amor e seus tormentos,
Seus véus caídos, seus aleijões,
Sua desfigurada sonolência,
Sua incerteza, sua covardia,
Sua dor e seu humilhante ofício de enganar.
Não me compadeço
Da vida
Nem da morte.
O que me seduz
É esta desesperada solidão arquejante
Aflita, quente, sofrida.
Engolindo-me
Castigando-me a amplidão do olhar
Que ainda contempla
Noites frias e azuis
Onde o silencio propicia
O corte preciso e suave
E o gotejar solene
Deste vermelho delírio insano
Que corre em mim.

CATEDRAL


CATEDRAL


A seqüência lenta dos minutos
que se adiantam
são como as contas de um rosário.
Não há dor,
somente um bem estar
soprado em cada Ave Maria e
embalado no partir de cada hóstia
embebida no sangue
das uvas
tintas desta vermelhidão
que se derrama

nos vitrais
abençoando a hora sexta,
NOA!






MEL



MEL

A lascívia
em minhas mãos
despem o teu medo
na simetria de um pensamento concêntrico.
E a tua pele
rubra
aos meus pés
esparramada,
quando a noite se liquefaz

((mel entre os meus lábios))

E os teus dedos
nos meus gritos roucos
enquanto
o mundo gira neste caleidoscópio
esfacelando as cores
deste olhar vermelho
que devora a tua boca,
minha boca...

Não sei mais...

Só este tempo
e esta constante vibração,
na agressividade
de um desejo,
meu puro amor.

domingo, 22 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

NA AREIA





NA AREIA


Nas tuas margens

deixei minha alma - amontoada

feito linho branco...

E os teus olhos
me cobriram e tuas mãos

ungiram minha nudez.

E as tuas palavras a

limentaram

a fome e o tormento do existir.

Da tua boca - o beijo

com suavidade a sede encerrou

na minha boca de secura tanta.
.
Na areia

meus pés nus

seguiram os teus pés

deixando rastros paralelos

até que a ultima estrela

surgisse no céu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

LINHA DO TEMPO



Linha do Tempo

Eu estava lá!
Imperceptivelmente flutuando sobre todos os pecados
e todas as lamentações
e dores - e não havia mais tempo entre nascer e morrer.
Rompeu-se a membrana do equilíbrio.
A densidade e o momento se fazem presentes,
tudo se resume no agora
e antes que eu adormeça
ainda há caricias para serem feitas.




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

SUTILEZAS


Esplendorosa

A lua surgiu entre as ramagens
Aragens que decoram as
Fugazes carícias dos teus lábios feito luz
Que me envolve sem pressa,
Enquanto o lenho do amor – sorve o tempo e a distância.

A leveza e ternura
Com sutileza libertam os sonhos que a brisa beija
Despertando cada dia e fazendo
Do meu destino um relicário
Para o teu amor que me toma em suave vertigem
Sorrindo meus olhos somente para você.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ARQUÉTIPO



ARQUÉTIPO

O que vem até a beira dos meus sonhos
escorrega e cai
no precipício dos meus lábios
no desfalecer ambíguo
dos beijos que não te dei
Na promessa transitória
desmentida e insosa
que enfileirada no varal da tua boca
dança como bailarina
com sapatilhas de chumbo.

ESPUMAS



ESPUMAS 

Espumas brancas e solitárias aves
Sobre um mar
Que ainda não foi
Lavado do sal
Nem do fel
Transformam-se em flores,
Madrepérolas nos cabelos
De Afrodite.
E quando minha alma
Transpira e exala o cheiro
Dos pergaminhos
A tua mão afaga os meus cabelos
Ainda úmidos.
E tua boca agora beija um beijo meu.

SONÂMBULA



SONÂMBULA



Tem uma lua em cada olhar
Estrábica figura,
calada, muda, absurdamente muda
Queria escrever poemas,
viu a lua...
Na superfície lunar,
bordou crivos com fios brancos
e pôs-se a dançar
Soprou pensamentos lascivos,
encostou-se no muro,
grafitou-se!
Despiu o sudário
e se fez peregrina,
virgem tosca em dulia matutina
Bacante silenciosa,
obliterada sem dialética,
nua,
esquálida dadiva
da tua indiferença,
prostrada ainda espera
o teu olhar.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

LUZ DE VAGA-LUMES


Tem vaga-lumes na minha janela
Me iluminado enquanto me desnudo
Frente ao teu olhar silencioso
A me envolver como serpente ávida
Por inocular-me o veneno.

Exponho minha nudez ao teu apreço
Ao carinho de tuas mãos
Rendo-me aos teus beijos
E navego no oceano do teu amor.

E lá fora, a luz dos vaga-lumes
Escreve na noite escura
O teu nome e o meu



Acendendo... Apagando...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MEU VERMELHO SANGUE


Cubro-me e te cubro do meu vermelho sangue
Despudoradamente te amo
Neste céu onisciente que se faz presente aos olhos meus
Quando tudo a volta é somente um piar de aves...

Deito-me e te deito no meu aconchego
Bebo teus olhos, tua boca de incenso acalma minha pele
Quando passeia em palavras sobre meus nervos...

Queimo teus cabelos, seco tua saliva
Mastigo teus pensamentos que me alimentam na ausência
Quando te fechas em palavras que não entendo...

E torna-se denso e quente e denso
E assim desta forma lírica te amo
Largada aqui neste tapete da sala.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ESSE BICHO QUE EU SOU


Ah, eu sou assim mesmo
esse bicho que morde
que arranha, que fere e
que lambe a ferida.
Sou assim
este animal, fêmea no cio,
que te segue e te lambe
te morde e te cheira
te derruba e te possui.
Sou mesmo assim
este bicho que sangra, que morre e renasce
de suas próprias entranhas,
sou mesmo assim, esse bicho que te ama...

ARCO ÍRIS


Enquanto te espero jantar
fico revendo minha vida,
assim como num filme,
meus momentos vão desfilando diante de mim.

Como eram meus dias tristes e sem graça
sem a cor do teu olhar, sem teu sorriso
sem teu carinho, sem tua presença.

Não sei como eu vivia
neste casulo sem cor e sem ar
feito borboleta ansiando por voar...

E agora, tem um arco-íris em mim
tem flores no meu jardim
luz em minhas janelas
sorriso em meus lábios
amor no meu coração.

Só posso dizer
que voce trouxe a vida para dentro de mim.

TEU CORPO PÁGINA


Meus lábios descem sobre a tua pele
escrevendo uma poesia molhada
desenhando pelo teu corpo
letras góticas
vermelhas e negras.

E no silêncio do teu arrepio
ouço teu coração
chamando o meu.

E quanto mais escrevo
mais te sinto
mais eu brinco de fazer poesia...

No teu corpo página
meu prazer se derrama
e eterniza o meu amor.

EU ERA LIVRE


Eu era livre.
Livre como a luz do sol
Que reflete seu brilho nas gotas de orvalho
Ou no silencio das poças d’água.


Eu era livre.
Livre nesta minha liberdade de olhar o céu
De pintá-lo de azul, lilás ou verde,
De acender estrelas e riscar cometas com cauda de luz.


Eu era livre.
Mesmo quando fechava meus olhos
E o vento soprava em meus ouvidos os segredos de outras terras
E a chuva me trazia água doce para meus lábios.


Eu era livre.
Quando a noite chegava estrelada
Carregando um pedaço sorridente da lua
E prateava meu caminho.


Eu era livre.
Livre de todo amor
Livre da saudade
Livre da espera, que espera um beijo seu,
Eu era livre e não sabia
E tudo que eu mais queria, era a liberdade de amar você.

SEM VOCÊ


Deixa-me com minha tristeza
nesta hora azul violeta
quando o sol se esconde
bordando a barra das nuvens.

Deixa-me assim, neste silêncio
neste caminho onde meus pés arrastam-se
sobre pedras soltas
onde meus passos me levam para longe
muito além, onde repousa a solidão.

Deixa-me aqui
com minhas lágrimas
minha dor meus sonhos desfeitos
Deixa-me aqui com minhas roupas rasgadas
e minha alma sangrando.

Deixa-me.
Esqueça meu sorriso
evite meu olhar
sopre minhas lembranças em qualquer
vento que passar.

Deixa- me aqui
triste e silenciosa revivendo
seus momentos, ouvindo sua voz
lendo suas palavras, sentindo seus beijos
sentindo seus toques em minha pele
que ainda queima e transpira esse amor .

Deixa-me aqui, para chorar
até calar no peito toda ânsia
todo esse desejo todo esse sonho
e caminhar de volta sem você.

LÁGRIMAS




...e o silêncio que se fez foi tão intenso
que pude ouvir o deslizar das minhas lágrimas
buscando meus lábios,
escondendo-se para chorar também.

Então olhei para dentro
de mim e
vi um jarro vazio.
Minha alma voou com
sua asas de pedra
entregando-me ao centauro alado
que povoa os meus sonhos.

E meu olhar
perdido pela fresta da porta entre aberta
encerra um ciclo,
fechando a flor
em sua corola de imensa dor.

TEMPO DE CHUVA


Quando esta chuva passar
vou caminhar descalça pelas poças d'água
molhar meus pés nesta água

caída do céu em forma de gotas...

Vou caminhar em zig zag
como nos tempos de menina
brincando de céu-inferno
até cair nos seus braços
meu céu agora e meu inferno de saudade.

Quando esta chuva passar
vou colher as flores cheias d'água

sorver água da chuva
água doce da sua boca.

Quando esta chuva passar
vou escrever seu nome na terra molhada
fazer um coração e jogar um beijo
quem sabe assim, na outra chuva
você vem para mim?

domingo, 4 de dezembro de 2011

ESTRELAS MORTAS


Essa noite sem lua
Acalenta no meu peito
Essa vontade de correr,
De me perder de mim,
De deixar meu corpo esparramado na grama úmida.
Ou voar além do espaço,
Voar, me recolher no lado negro da lua,
Onde os meus gritos não encontrem ecos.
Onde os meus pés
Pisem poeira de estrelas mortas
E os meus lábios beijem
Cometas incandescentes
Que vigiam as horas
Aprisionando o amor.
E ficar no silêncio,
Neste deserto de sombra e dor
Onde tua lembrança não
Consiga me fazer chorar...

FEBRE




FEBRE

Onde a dor se achega tudo é silêncio
e prostração.
O amor se cala, se deita
nas cinzas do borralho
e adormece os olhos no correr das lágrimas.
Tudo em volta é só saudade. Uma ausência nas mãos,
um inquietante tremor a percorrer o corpo e alma.
Tua presença ainda é forte
e mesmo na distância entre norte e sul
tudo ainda é real. Tudo ainda faz sentido
mesmo quando a razão já diz que não.
Quisera fosse o ontem o momento mais presente,
a certeza que edifica e abranda todos os medos,
que fosse a mão ante a procura que se estende,
e o acalento na madrugada de cada olhar embebido em febre

pois a tua dor, também é minha.