quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O NOVELO


O NOVELO


Há um enorme novelo sendo enrolado.

Fios de sisal, fios de cobre
Fios de seda, fios de aço
Fios da vida...


Nervos em linhas estreitas

Esticadas num varal
Secando e amarelando sob o sol.


Há inclemência nos dias...



Nas babas que escorrem de torneiras douradas

Onde se lavam as mãos e as roupas sujas
E o que atormenta a consciência de cada um...


... é este enrolar que cresce, e tece enquanto

A foice não desfere o golpe
Que deixa o fio suspenso,
E o novelo no chão...








GIRASSÓIS


Girassóis

Não sei onde estou...
Entorpeço-me neste firmamento
fragmentado
incorpóreo
longínquo,
neste decorrer de horas inúteis.

No meio deste desassossego,
girassóis estéreis
perguntam-me:
_ Onde mora a solidão humana?

E das cinzas dos mortos
desperto em morno tédio
febril,
incerta seiva
viajando entre céu e inferno,
onde felicidade
é o adormecer eterno.

LEONARDO E OS LOBOS






LEONARDO E OS LOBOS


Quando Monalisa sorri
Leonardo dança com lobos
Entrega seu coração aos tormentos,
Momentos de amor
Na lascívia dos lábios
Sábios pensamentos no véu das cachoeiras,
Noivas parideiras
Sempre caminhando por entre as ramagens...
Ares de serpente
Olhar de viés / "revesgueio"
No claro/escuro de cada folha
Um dia amanheceu onde nada floresce
E uma noite dormiu nos braços de
Fogo-fátuo/luz de pirilampos
Clareando
Até onde a imensidão se ajoelha
E beija o céu e a terra
E se cala, enrodilhada
Feito cobra que não pisca os olhos de semi-escuridão.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SUPLICIO



SUPLICIO



Quão longe dos teus braços.

Suplico reprise do tempo
Abro as janelas da mente
Tenho fome de tempo!
Tenho fome de ti...


Quero-te agora,

Antes que o vazio me invada
Aconchega-me ao teu peito,
Dá-me de beber do teu prazer
Aqui e após,
Pois minha dor
É parte dessa verdade.


E na pureza dos teus carinhos

Vem, possua-me!
Já sou cativa,
Escrava do teu olhar.


Possua-me como os animais,

Sem pudor , sem pressa.
Possua-me! Faça meu corpo
alimentar-se no teu prazer
sacie minha sede nas águas
das suas águas e com a intimidade 
de tuas mãos percorra-me,
Reviva minha alma!...


Que na quietude da noite

Beijo-te a boca
Pois tu és meu amor
Meu amor para sempre.


SEXTA HORA


SEXTA HORA

No olho do furacão
as tuas mãos, nuas, cansadas
ainda resenham a vida
em óleo santificado, em ocre e em sangue.
O tempo triunfante - ri das tuas inquietantes dores
mas não te absolve das intemperanças,
das inquietudes
dos soluços da tua alma - infinitamente bela!
E quão bela é a tua alma;
que nem mesmo a língua do sol lambendo o teu sal
esculpe no teu cerne qualquer mácula,
e branca e pura 
a tua essência te caminha os veios, as ranhuras
desta 'significancia' que te habita e 
que em silêncio se mantém resignada
esperando as revoadas nervosas
sobre a linha do horizonte
rasgando o céu - parindo a Hora Santa.


PASSAGEM



Passagem


Sinto-me só...
Perambulo por ruas desertas
porões e sótãos
cobertos de umidade e poeira.
Arrasto-me nesta miséria noturna
buscando por um tempo
que não existe mais.
Deixo em cada passo
nesta lama,
um sonho e
um pedaço de mim.
E neste silêncio feral
meu olhar de tristeza 
de tristeza olha uma estrela que explodiu.


TRISTEZA


Por que choras minha alma
se tens asas para ser feliz?!
Que liberdade queres
que em meus sonhos não podes ter?!


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O MEU POETA PARTIU



O MEU POETA PARTIU

... como dizer aos meus olhos que a tua poesia não
esta mais conosco?!
Que agora fazes parte do coral dos anjos poetas
e caminhas lá no céu? Como dizer isso aos meus olhos
que não se cansam de chorar a tua saudade
___________________dolorida e triste saudade?!
Ah, meu amor
a tua poesia vive em mim
o teus sonhos eram a continuidade dos meus sonhos
agora interrompidos com a tua partida.
Me deixaste sozinha (fisicamente sozinha)
minhas mãos buscam as tuas mãos a todo momento
e a tua ausência se faz __________numa dor que
lacera meu coração
que acostumado ao teu amor___________sorria!!
E agora, meu poeta, o que faço para amenizar a distância
que nos separa?!!
Escrevo outras poesias dizendo do meu amor?!
Ou somente me calo e espero resignada
até me encontrar com você novamente, ai na casa do Pai?!
A dor da sua perda
é uma bebida amarga...
Mas, sei que estas bem__________agora livre do peso
desse corpo físico e tão cheio de dores.
A minha alma sabe o quanto te amo
e chora um pranto contido na Fé e nos ensinamentos
de Jesus, onde se diz
que o amor não morre, apenas adormece
para acordar um dia
no esplendor da Luz Divina
onde sermos verdadeiramente um só.
Eu te amo , eu te amo.

  Ao Poeta

* 13/01/2013
(in memórian)



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

POESIA


POESIA

Me envolva poesia
me tome por completa
embriague os meus sentidos
me faça___________vibrar 
em dó, ré, mi, fá, sol____________lá
onde tudo acontece
onde não há poentes ou ocasos
só a vida pulsante
e
s
c
o
r
r
e
n
d
o
nua de medos e inverdades.

Seja eu, poesia a lhe falar em versos o que minh'alma

ora presa ora livre
descobre ao tocar seu coração!
Antecipe a primavera nas cores do meu olhar
vasto olhar que desvenda a imensidão
e o silêncio entre cada amanhecer e anoitecer
que compõe a sua existência...




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Neruda e o Poeta


Até onde vai a poesia
que o poeta recita com embargada voz?!

Ao céu?! Este mesmo céu que um dia Neruda olhou
tão demoradamente em seu silêncio
antes de deixar a mão cair sobre a folha alva
e desenhar  os versos a que alma entoa...

Ah, poeta... a sua voz invade o espaço
rompe as membranas das manhãs enevoadas
ganhando amplidões até  fazer eco no meu coração!

Então fecho os olhos____________ ouço a sua poesia
 e as palavras de Neruda  pareando em dueto
alcançam as estrelas que brilham no céu de Istambul
acendendo o meu olhar
perdido olhar a procura do seu
____________________eternamente a procura do seu!!



*para você







SE FOSSEMOS UM SÓ


_____________________ reinvente a vida
vem, adormeça em meus braços
antes que a noite acorde o dia
e o sol
brilhe a poesia presa nos meus olhos
(tão prestes a chorar mais uma vez.)

Onde estão as garças?! Voaram?

O céu é um silêncio pintado de azul
onde podemos desenhar todos os sonhos
até mesmo os mais secretos...

Tente mais uma vez, eu sei, você pode
e os meus braços
sentem a sua ausência e as minhas palavras
te buscam onde quer que você esteja
até o seu perfume ((ainda esta em mim))
e a musica que ouço agora
ainda diz versos que ouvi
da sua boca
antes de beijar a minha.

___________________reinvente a vida
só mais um pouco, por favor
eu não sei se vou aguentar muito tempo
antes de chorar essa solidão
que é tão sua e tão minha
como se fossemos um só e a
 sua dor, é minha também.

Estou aqui
bordando o tempo com poesias
enquanto espero que a vida
ressurja/fonte d'água viva em você
saciando a minha sede
de também existir______________por amor, existir!!



*ao poeta


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

VISITA-ME SEMPRE






VISITA-ME SEMPRE 



Ontem a tarde // bem de tardezinha

uma passarinha anja visitou-me // com suas asas de seda
Sobrevoando todos os faróis // iluminada, riu
de minha solidão, beijou-me // aquecendo minh'alma.
Desde então meu coração // antiga e triste
gaiola da saudade // apenas palpita e
viaja em seus olhos de menina // olhos de anja.
E eu avesso ao tempo // me vejo embevecido e
sigo o lume desse olhar // farol de mar, lume de estrela
clareando meus passos // onde quer que eu vá, me
aponta o caminho, que // meu amor deve seguir,
nossos destinos irão se encontrar. // menina passarinha, anja minha!




Constan Baruc e Luciah Lopez






RAIO DE SOL




RAIO DE SOL


Como raio de sol, você 
Na minha vida apareceste qual anjo de luz
transmutando-me em cores e sabores.            
iniciando assim minha nova existência
meu sétimo ciclo, minha aura de luz. 
inspirando-me o sentimento mais nobre
para vôos mais altos, além da estrutura lunar
Mais profundos que os vales marinhos
e mais belos que as cores do ocaso.
como raio de sol surgiste em minha vida
lançando-me desafios, dando-me a tua coragem
abriste-me horizontes para meus olhos tristonhos.
insuflaste-me confiança dos seus passos seguros
coloriste um pouco mais esta aquarela boreal,
as minhas asas diáfanas...
intensificaste um pouco mais, me fizeste voar.
os meus sorrisos agora seus...
acrescentaste um pouco mais de fantasias e
de loucura à minha vida.Enquanto houver sol
enquanto houver lua, haverá você.
continuarás no meu coração me fazendo  feliz
mesmo que seja apenas por um instante
como raio de sol ou raio de luar...


 Policarpo Nóbrega e Luciah López



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FRACTALES




FRACTALES

¡ Hay tanto de mí queriendo salir!
Alcanzar los mares y las mareas.
Navegar con las estrellas marinas
por las profundidades del alma.
(No sé cuál es su color)
Mirar hacia atrás hacia mis pies
impresos en la arcilla de las aceras
y descubrir conchillas y mariposas muertas.
Las historias que cuento se convierten en presas
de garabatos que hago intentando resumir mi vida
y todo lo que anhelo en este momento
es sentir la sal quemándome la boca
hasta que ya no pueda pronunciar tu nombre
y alejarlo de mí 
por la intención
de querer un amor 
que me ha sido prohibido.


Luciah Lopez


tradução para o espanhol: Norma Segades Manias

A LUA DE OUTONO EM ISTAMBUL



A LUA DE OUTONO EM ISTAMBUL

Ouço as lágrimas passando.
São como marés de sizígia...
Ouço alguém cantando perto,
Tão perto de mim
E eu olhando as cores daquele olhar
Tento compreender o que me diz a canção.


Abra os olhos
É preciso que abra
Veja como suas lágrimas secaram
Esqueça as tormentosas
Marés de sizígia
Mas para escutar ouça
o pensamento, só a mente
É capaz de captar a felicidade
Que diz esta canção
Que veio há mais de dois mil anos
E veio para ficar, assim meio
marota nas asas do vento
Para lhe dizer que as cores
Desse olhar está no céu de Istambul.


Neste céu de Minaretes,
Erguem-se braços de Kutlar, Ersoy, Hikmet
Abrindo as asas do vento
E tirando a poesia... a poesia!
As marés agitam-se
Ondas, chuvas de estrelas, marés lunares
Banhando o pensamento virgem
Que se põe a esperar...


Agora sorvo de seus olhos
Lágrimas doces que saem do seu coração
Para o oásis do meu beijo que foi deserto
Despertando o viver em meu peito
que navegava às madrugadas
Outrora solidão estrelada
Por onde a minha tristeza
passeava lhe procurando
seguindo seus passos de alegria
Mas onde estavas mesmo
musa, menina e ninfa?


Entristecidos, os meus olhos estavam
E se escondiam pelos corredores de mármore
E pelas cúpulas da Mesquita Azul
E do crepúsculo, todas as cores bebiam
Em fina taça de escárnio...


Como uma estrela se escondendo
no profundo azul do céu
meus olhos lhe acariciando
eriçando sua pele
o calor do coração
onde quase inatingível
fui buscá-la para viver
em meu peito...
Oh! Mitológica deusa
Foste uma luz a menos
nas constelações do
Reino de Istambul
Transferindo para sempre
essa ternura estampada
no sorriso do meu rosto.


Com o teu calor trouxeste as noites
mornas do outono
E as ceras e
as resinas tintas de ocre e magenta
Escorreram em profusão
Libertando-me o coração
Que agora vivo, no teu sorriso
se faz eterno em cada verso deste poema de amor.



Luciah López  & Constan Baruc






ACASOS E UM GRITO



Acasos e um grito
Há um vazio em cada esquina. 

Portas fechadas,
rostos nas janelas,
olhares enviesados, 
ecos das risadas de ontem...

Nossos olhos já não veem o céu.
A poluição não nos deixa vê-lo.

Nosso olfato não sente, senão,
o cheiro de óleo.

As flores não sobreviveram...

E o futuro se adianta... 



O gato se acomoda e sonha. 
A menina olha o futuro na tela da TV.
Alguém tricota um cachecol. 
Um tiro na noite!

Nossa boca não degusta, senão,
pobre guarida.

Não satisfaz. 

Enche.

Nossos sonhos:
montanhas íngremes...
picos escarlates... 
pontos inatingíveis.

Enquanto houver:
quem veja e se cale,
quem fale e se canse,
e, ao se cansar se esqueça.
Da criança com fome.
Do amor sem guarida.
Da criança sem teto.
Do amor com fronteira.
Do ventre estéril...

E o futuro se adianta... 

Um grito.


Não houve um grito de alerta!

Um grito, 
só.

Um grito, 
simples.

É triste precisar
haver um grito.

Um grito, 
não um sussurro!

Um grito com eco e tudo!!!

E o futuro se adianta... 

Um grito
das entranhas embriagadas de cachaça.

Único remédio do pobre... 
a cachaça.

Para esconder nesta máscara... 
a cachaça.

A dor de ver o filho,
sem pão e agasalho.

O teto caindo.
O fogão sem gás.

A mulher cuja beleza,
se a tinha, morreu nos partos.

E o futuro se adianta... 

Um grito de lamento:
quem tem nas mãos a decisão
só tem para dizer, 
"cada um vive como pode"
e diz na televisão. 

Ah! Meu D’us, 
essa não!

E o futuro se adianta... 

Um grito de desabafo,
no coro do estádio,
ao ver o juiz roubar,
no tempo, 
no pênalti,
na expulsão.

E o futuro se adianta... 

Um grito ansioso,
triste-alegre
alegre-triste.

E o futuro se adianta
não espera e não gera, 
apenas passa por nós arrastando seus 
felpudos chinelos de quarto...

Até quando assistiremos inertes?



Romero Bittar


(multiplicação com o poema Acasos de Luciah Lopez)

http://www.talentos.wiki.br/post.php?id=79798


(Cópia infiel de "Abandono" de Luciah e belos comentários de Baruc)


Abandono

Ao beijo da noite 

a flor se entrega
tão repentinamente
que o vaga-lume
desliga o lume
para não interromper.

Ao brilho das estrelas
a lua expõe a sua cálida
história repleta de cor.

Às carícias do vento,
as árvores se dão
plena e vigorosamente
na cadência do amor.

Sob os raios do sol
na natureza inteira
impera uma suave
e eterna força
que acalma os corações.

Romero Bittar




(Cópia infiel de "Abandono" de Luciah e belos comentários de Baruc)


http://www.talentos.wiki.br/post.php?id=79578


OLHAR


Olhar


A prece 
que a alma transforma,
que a tudo encanta, 
e comove,
e enternece...



Onde a alegria encontra seu ninho 
fazendo até mesmo o luar, embevecido, 
sussurrar junto aos ouvidos
e delirar com as liras
cantadas em serenatas.

E o amor
- nesta hora - enfim,
se entrega pelo olhar. 



(Cópia infiel da poesia de Luciah Lopez)


Romero Bittar


http://www.talentos.wiki.br/post.php?id=79309


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ECOS


Ecos

a súplica das palavras
está no silêncio das conchas _____e no eco das ondas
lambendo o sal
 É aqui que o vento ensaia toda poesia
que esparrama na areia 
é aqui
que a noite chega sem avisar e adormece
o dia e beija os lábios da lua e da alma
faz a morada dos homens
na morte dos medos
que os meninos
escondem em seus armários.





domingo, 16 de dezembro de 2012

ABLAÇÃO


ainda que eu rezasse cem mil Ave Marias
nem mesmo assim seria possível adiar a tristeza
e solidão
nem mesmo assim, com cem mil Ave Marias a 
e
s
c
o
r
r
e
r
pelas contas do rosário indo morrer
aos meus pés ( nus de todo pecado)
fariam a tristeza adormecer sozinha
na solidão que se agarra a mim, feito sombra
de aranha prenhe (sempre parindo uma dor depois da outra) .
e de nada vale
cem mil rezas
se a tristeza esta tão dentro de mim como se fosse eu mesma.